
Li , na revista Época do mês de março deste ano, uma reportagem simplesmente maravilhosa, uma linda história de amor , entre o escritor e filósofo André Gorz e sua esposa Dorine. Eles ficaram casados 60 anos, e, a dança que os uniu, se estendeu por toda uma vida. Ela tinha passos de dançarina, e, ao encontrá-la na rua, ele a convidou para dançar. Ela aceitou prontamente: ” Why not?! (por que não?). Essa linda dança se estendeu durante os 60 anos , em que ficaram casados. Na terceira ou quarta vez que saíram, ele a beijou. Despiu seu corpo com cautela. Compreendeu ” que o prazer não é algo que se tome ou dê. É um jeito de dar-se e de pedir ao outro a doação de si. ” Juntinhos um contra o outro, dividiram os 60 centímetros do ” velho sofazinho afundado.” Era outubro de 1947. Em 22 de setembro de 2007, eles foram encontrados mortos, lado a lado de sua cama na França. Tinham mais de 80 anos. Eles haviam consumado um pacto de suicídio por injeção letal. O duplo suicídio, foi um ato de derradeiro amor. Dorine sofria de terríveis dores na cabeça e no corpo causada por uma doença progressiva. ” Eu queria acreditar que nós tínhamos tudo em comum, mas você estava sozinha em sua aflição. ” Um ano antes do suicídio ,em 2006, ele escreveu uma carta para Dorine. Nessa carta, ele refez a longa dança que dançaram juntos para acertar com ela cada passo. Deu sentido a cada um dos avanços, recuo e pisões no pé de toda uma vida. “Você era quem punha entre parênteses esse mundo ameaçador.”, escreveu “Fernando Pessoa disse que todas as cartas de amor são ridículas,- ” não seriam cartas de amor se não fossem ridículas”-porque não há como escrever sobre algo indizível como o encantamento amoroso, apreender o que escapa. A carta de amor a Dorine é bela, se esquiva dessa definição. Assombrosamente bela. O livro CARTA A D.- HISTÓRIA DE UM AMOR ( Cosac Naify e Annablume, 80 páginas), foi lançado em fevereiro . Chegou aqui no Brasil, depois de vender mais de 100 mil exemplares na França e na Alemanha. A carta de amor foi seu último livro. ” Você é o essencial sem o qual todo o resto, importante apenas porque você existe, perderá o sentido e a importância.” André descobriu no final de tudo, que não queria dançar sem Dorine. ” Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela; graciosa e desejável. Já faz cinqüenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher. “ Trecho de uma coreografia amorosa.
* Post escrito, baseado na matéria: A dança que durou uma vida- Revista Época/ março de 2008.</p>
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Eu li essa matéria também, fiquei super emocionada.
Estava com saudades desse seu cantinho.
um beijo
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Meu Deus… Essa eu não tinha lido ainda. Santo é seu blog por ter me feito descobrir. Para mim, até hoje, foi o mais belo post que li aqui no seu espaço! (tudo, até a foto!) Olhos embargados, garganta apertada, estou boquiaberto com essa história. Anotando imediatamente o nome do livro para comprar. Desejando com todas as forças que um cineasta de sensibilidade descubra isso urgentemente para me brindar com um filme de tudo isso…
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Mas então!!!!
Reforma geral na casa!!!!
Amei o rodapé das mensagens com seu nome estilizado!! Quero no meu Tbm!!!
A mensagem seria linda se não fosse tão tragica, mas de tão trágica é belíssima…
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Que história linda!
Adorei o seu blog, muito bom mesmo. Parabéns.
E eu que já duvidava que o pra sempre existisse…
Bjos
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