Compartilhando as Letras » 2009 » agosto
31
ago
Delícias de Carlos Drummond de Andrade


A um ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência.
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

Carlos Drummond de Andrade

Poeta, cronista, contista e tradutor brasileiro. Sua obra traduz a visão de um individualista comprometido com a realidade social.

Na poética de Carlos Drummond de Andrade, a expressão pessoal evolui numa linha em que a originalidade e a unidade do projeto se confirmam a cada passo. Ao mesmo tempo, também se assiste à construção de uma obra fiel à tradição literária que reúne a paisagem brasileira à poesia culta ibérica e européia.

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira MG, em 31 de outubro de 1902. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade natal, em Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por “insubordinação mental”. De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.

Fonte: Pensador.Info

30
ago
O poder das palavras


Existia um menino que tinha um temperamento muito ruim. O pai desse garoto, lhe deu um saco com pregos e lhe disse que, toda vez que ele perdesse a paciência deveria dar marteladas nesses pregos atás da cerca.

No primeiro dia, o garoto enfiou 37 pregos na cerca. Em algumas semanas  , à medida que ele ia aprendendo a controlar seu temperamento, o número de pregos e marteladas por dia iam reduzindo gradativamente. Ele descobriu que era mais fácil controlar seu temperamento do que martelar todos aqueles pregos na cerca.

Finalmente , chegou o dia em que ele não perdeu o controle. E entusiasmado, foi correndo contar ao pai. Por sua vez parabenizando o filho, este sugeriu que ele retirasse um prego a cada dia que ele conseguisse controlar seu temperamento. Houve um dia em que o garoto havia retirado todos os pregos da cerca. Então seu pai segurou sua mão, levou-o até a cerca e disse:

” Você se saiu muito bem, mas olhe os buracos na cerca. A cerca jamais será a mesma. Quando você diz ou escreve  palavras com raiva, estas deixam cicatrizes nas pessoas. O ataque verbal é tão ruim quanto um físico  .   Amigos são jóias muitíssimo raras. Eles fazem você sorrir e lhe dão apoio para que você tenha sucesso. Eles emprestam um ouvido, elogiam e têm o coração sempre aberto para você. Eles dão a mão, o ombro, apoio e muito carinho toda a vez que necessitamos. Quando for dizer alguma palavra pense duas vezes.”

Normalmente as decepções que sofremos com as pessoas estão relacionadas com a nossa incapacidade de interpretar corretamente o sentido das palavras. Julgamos na maioria das vezes, o conteúdo das informações com o coração e não com a razão.

” A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal…”  Colossenses 4:6


Fonte: Revista  Jerusalém em Ação

A Fenda, profª Cleonaide Pinto

29
ago
A cara do Congresso Brasileiro


.

Resolvi postar esse pequeno poema, pois temos nos sentido como  palhaços e o Congresso é uma palhaçada, um grande circo. Tantas falcatruas, tanta coisa errada e nós no meio dessa nojeira toda!!! Esse vídeo canta tudo o que os brasileiros gostariam  de falar para o Sarney e sua corja. O povo está revoltado, já não aguenta mais!!!! Enquanto trabalhamos duro o Congresso  se diverte e faz um carnaval o ano inteiro.

No circo, o homem pinta a cara
e faz piruetas para o povo sorrir;
no palco, o homem, num ato cênico,
teatraliza o real para o povo se divertir;
no palanque, o homem, num ato cínico,
realiza, teatral, o seu projeto pessoal,
com a cara lisa e o bolso cheio
do real alheio;
e ao povo enganado, nem pão nem circo.
.
Carlos Alberto de Assis Cavalcanti

***   Vejam o vídeo, falar mais o quê??

29
ago
Refletindo sobre o tempo com Rubem Alves


O tempo se mede com batidas. Pode ser medido com as batidas de um relógio ou pode ser medido com as batidas do coração. Os gregos, mais sensíveis do que nós, tinham duas palavras diferentes para indicar esses dois tempos. Ao tempo que se mede com as batidas do relógio – embora eles não tivessem relógios como os nossos – eles davam o nome de chronos. Daí a palavra “cronômetro”.
O pêndulo do relógio oscila numa absoluta indiferença à vida. Com suas batidas vai dividindo o tempo em pedaços iguais: horas, minutos, segundos. A cada quarto de hora soa o mesmo carrilhão, indiferente à vida e à morte, ao riso e ao choro. Agora os cronômetros partem o tempo em fatias ainda menores, que o corpo é incapaz de perceber. Centésimos de segundo: que posso sentir num centésimo de segundo?
Que posso viver num centésimo de segundo? Diz Ricardo Reis, no seu poema “Mestre, são plácidas” (que todo dia rezo): “Não há tristezas nem alegrias na nossa vida”. Estranho que ele diga isso. Mas diz certo: o tempo do relógio é indiferente às tristezas e alegrias.
Há, entretanto, o tempo que se mede com as batidas do coração. Ao coração falta a precisão dos cronômetros. Suas batidas dançam ao ritmo da vida – e da morte. Por vezes tranqüilo, de repente se agita, tocado pelo medo ou pelo amor. Dá saltos. Tropeça.
Trina. Retoma à rotina. A esse tempo de vida os gregos davam o nome de kairós – para o qual não temos correspondente: nossa civilização tem palavras para dizer o tempo dos relógios: a ciência. Mas perdeu as palavras para dizer o tempo do coração.
Chronos é um tempo sem surpresas: a próxima música do carrilhão do relógio de parede acontecerá no exato segundo previsto. Kairós, ao contrário, vive de surpresas. Nunca se sabe quando sua música vai soar.

Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– Um caso de amor com a vida”


Achei muito interessante esse texto de Rubem Alves e de grande aplicação:

“  O tempo do relógio é indiferente às tristezas e alegrias.”   Uma grande verdade, quer você esteja alegre , ou triste, o relógio continuará batendo, marcando o tempo. Ele não para para colher suas lágrimas, saber da sua dor. Ele é imparcial, marca sempre!

27
ago
Descoberta a Fonte da Juventude: uma bactéria


Experiências feitas nas Universidades do Texas e de Michigan, apontaram que a rapamicina(Rapamune), droga atualmente utilizada em transplantes de órgãos, tem o poder de estender milagrosamente a vida- ratos que tomaram o remédio viveram até 14% a mais. Isso acontece porque a rapamicina inibe um mecanismo chamado mTOR, responsável pela divisão, multiplicação( e envelhecimento) das células. Mas, essa droga , que é produzida pela bactéria Streptomyces hygroscopicus, encontrada no solo da ilha de Páscoa, tem um efeito colateral: enfraquece o sistema imunológico. Por isso os cientistas enfatizam que ninguém deve tomar o remédio por conta própria. ” A descoberta é importante porque abre caminho para o desenvolvimento de drogas que ajam mais especificamente, sem efeitos colaterais”, explica a bióloga Lynne Cox, da Universidade de Oxford.


*** 14 % é quanto os ratos que tomaram a droga viveram a mais ( o equivalente a 10 anos em idade humana)



Fonte: Super Interessante – Set/2009

27
ago
Esses escritores de sonho!


.

Fragílimo

Está faltanto
só um pedacinho de noite
pra me fazer chorar.
Quando ela entrar
com seu passo manso
e mudo,
libero a lágrima,
reconsidero tudo:
vou te buscar.
.
Flora Figueiredo

.

Se tu queres que eu não chore mais
Diga ao tempo que não passe mais
Chora o tempo o mesmo pranto meu
Ele e eu, tanto
Que só para não te entristecer
Que fazer, canto
Canto para que te lembres
Quando eu me for
Deixa-me chorar assim
Porque eu te amo
Dói a vida
Tanto em mim
Porque eu te amo
Beija até o fim
As minhas lágrimas de dor
Porque eu te amo, além do amor!
.
Vinícius de Morais

.
A vida é a arte do encontro

embora haja tanto desencontro pela vida.
.
Vinícius de Morais

.
- E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu,
seria o suficiente para modificar nossos roteiros.

silêncio

- Mas não seria natural.
- Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
- Natural é encontrar. Natural é perder.
- Linhas paralelas se encontram no infinito.
- O infinito não acaba. O infinito é nunca.
- Ou sempre.
.
Caio Fernando Abreu

Imagens:  Google

Blog Widget by LinkWithin