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A ingratidão fere e causa uma dor, que, não sabemos definir, aperta nosso coração e nos deixa sem fôlego. Muitas das vezes, nos dedicamos, damos tudo de nós e a outra pessoa não reconhece, nunca! Essa outra pessoa pode ser: filho(a), noivo(a), mulher ,marido ou amigo(a). Tentamos demonstrar nosso carinho, admiração,amizade, zelo, cuidado, mas, quanto mais fazemos, mais parece que a pessoa ou está com vendas nos olhos, ou definitivamente, não quer ver. As vezes, de várias formas e maneiras, tentamos mostrar que queremos o bem daquela pessoa, que queremos viver em paz com ela, que queremos nos justificar de algo feito errado, que queremos nos reconciliar e acabar com toda a pendência existente. Mas, como o ser humano é cabeça dura, sempre que pode ,e , encontra uma brecha, procura alfinetar, jogar em rosto algum erro de tempos passados , e , o que é pior, não reconhece todo o carinho,amizade,reconhcecimento,confiança, demonstrados. Filho é assim, por mais que fazemos, nunca está bom, sempre querem mais e mais. Você se dedica, demonstra amor, se vira do avesso para ajudar, amparar, orientar e nunca está bom, querem sempre mais. Ingratidão é terrível, vai minando nossa alegria, nossa resistência e nos causa grande dor. Ingratidão mata! Injustiça nos deprime. Pensando nessas ingratidões que sofremos ao logo da nossa jornada, as vezes algumas palavras ditas ou escritas que nos deixam tristes e nos aborrecem. A palavra é potentíssima,tanto a palavra escrita como a falada. Pensando nisso , resolvi postar esses poemas para nós refletirmos sobre a importância de cada palavra,dita ou escrita.

Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
(Cecília Meireles)
A palavra nasce-me
fere-me
mata-me
coisa-me
ressuscita-me
(Murilo Mendes)
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Há vários modos de matar um homem:
com o tiro, a fome, a espada
ou com a palavra
- envenenada.
Não é preciso força.
Basta que a boca solte
a frase engatilhada
e o outro morre
- na sintaxe da emboscada.
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Affonso Romano de Sant’Anna
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Saudade do que poderia ter sido e não foi.
Clarice Lispector in “A hora da estrela”
Não foi porque não tinha que ser. Quantas vezes eu já ouvi e repeti isso? Mas será que não era mesmo? Ou eu fiz não ser? Não sei. Só sei que o tempo não volta, e nesse caso específico, um dia tivémos outra oportunidade mas assim como as águas nunca voltam iguais, a oportunidade também não se mostrou a mesma.
Aí lembro de uma citação do filme “2046” onde o amor tem a ver com o tempo: não adianta encontrar a pessoa certa demasiado tarde ou cedo demais. Então concluo que não foi a oportunidade que já não era a mesma, era o tempo que já era outro.
Não estou com saudades não, nem arrependida. E confesso, faz tanto tempo que não sei nem contar os anos desde aquele dia.
É que hoje vim de carona. E ouvimos um único cd o percurso inteiro. O mesmo cd que num fim de semana qualquer do passado tocou sem parar. Músicas que meses depois, num pedido de “perdão”, ganhei num dvd e num cartão que ainda não tive coragem de jogar fora.
Nunca assisti esse DVD. Não queria nada que lembrasse aqueles dias.
Mas a lembrança não obedece a gente. Nem os outros sabem dos segredos que guardamos, ou melhor, enterramos dentro da gente.
Só sei que aquelas músicas tocaram hoje sem parar. Uma seguida da outra. E eu ainda sabia todas as letras.
E como um filme, pela janela eu via uma estrada vazia, chuva no parábrisa, árvores e uma mão na minha coxa.
**Mas ela já o amava tanto que não sabia mais como se livrar dele, estava em desespero de amor.
Clarice Lispector in “A hora da estrela”
**Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse
sim a outra molécula e nasceu a vida. (…) e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o que, mas sei que o universo jamais começou.
Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho.
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer?
Clarice Lispector in “A hora da estrela”


Claro que ele sabe da idade dele. É só fazer as contas.
Quem sabe somar e multiplicar tem a chave para entender as medições de chronos. Além disso, havia o espelho: na sua imagem refletida estão as marcas da passagem do tempo, inclusive o cabelo, já branco, antes da hora. Mas o coração dele ainda não havia percebido.
Coração não entende chronos. Coração entende vida.
Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– Um caso de amor com a vida”
Gosto de Rubem Alves, pois é direto: Coração entende vida. Realmente o coração não está preso ao tempo, mas à vida e as coisas que o fazem bater mais acelerado. Cabelo branco não é sinal de velhice, alguns por sua genética , têm os cabelos brancos, mais isso não quer dizer que estão velhos, ultrapassados, que ficaram para trás. A velhice é um estado d’alma. As vezes vemos gente tão novinha que, reclama à toa, coloca barreiras em tudo, acha tudo tão difícillllllllll, tão complicadoooooo, isso é um estado d’alma. Eu tenho uma amiga bem mais jovem que eu, mas como a bichinha reclama da vida. Reclama porque queria se casar. CASOU!!!! Depois começou a reclamar,porque queria ter um filho.Teve o filho, um menino lindo e super inteligente. Agora vive reclamando que quer ter uma menina. Porque menina , tem mais roupinhas, que é melhor de arrumar, que menina têm mais opção de enfeites e acessórios. Quando ela tiver a menina, vai arrumar outro pretexto para reclamar da vida. Isso é dela, é da pessoa. A velhice está na forma como você vê a vida. Se você vÊ como uma dádiva de Deus, uma bênção em que a cada dia você tem oportunidade de crescer, amadurecer, consertar,reconciliar, aprumar seus passos, ser uma pessoa melhor, então a vida pra você vai ser sempre colorida, bonita,cor de rosa, simplesmente ma-ra-vi-lho-sa!!!! Mas, se você reclama de tudo, nunca está satisfeito, tudo é complicadíssimo. Então meu caro(a) o chronos já te pegou.

