Eu gosto muito de falar de amor. É através dele que, todas as coisas acontecem, sem amor não somos movidos a fazer nada!!! Por amor a uma causa, você se dedica e mergulha de cabeça. É assim com os professores que são comprometidos com a Educação , com o seu aluno, em particular. É assim quando você quer informar, manter um Blog, ou outro espaço qualquer. Você se dedica, horas pesquisando, inovando e procurando novas técnicas. Melhorando sempre. Quando você põe em mente que vai restaurar alguém,que vai ajudar alguém a sair do vício,ou que vai conscientizar alguém, você investe nessa pessoa. Se você investe em um casamento, ou em um relacionamento, com amor você consegue seus objetivos. O amor move todas as coisas, move nossas ações. Sendo assim escolhi esse texto de Rubem Alves que fala claramente sobre todas essas coisas:

Drummond repetiu a mesma coisa no seu poema” As sem-razões do amor”. É possível que ele tenha se inspirado nesses versos mesmo sem nunca os ter lido, pois as coisas do amor circulam com o vento. ” Eu te amo porque te amo…” – Sem razões… ” Não precisa ser amantes, e nem sempre saber sê-lo.”
Meu amor independe do que me fazes. Não cresce no que me dás. Se fosse assim ele flutuaria ao sabor dos teus gestosTeria razões e explicações.
” Amor é estado de graça e com amor não se paga.”
Nada mais falso do que o ditado popular que afirma que ” amor com amor se paga.” O amor não é regido pela lógica das trocas comerciais. Nada te devo. Nada me deves. Como a rosa que floresce porque floresce, eu te amo, porque te amo.
Amor é dado de graça
É semeado no vento,
Na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários…
Porque amor não se troca,
Não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
Feliz e forte em si mesmo.
Drummond tinha de estar apaixonado ao escrever esses versos. Só os apaixonados acreditam que o amor seja assim, tão sem razões. Mas, eu, talvez por não estar apaixonado( o que é uma pena…), suspeito que o coração tenha regulamentos e dicionários, e Pascal me apoiaria, pois foi ele quem disse que ” o coração tem razões que a própria razão desconhece.” Não é que faltem razões ao coração, mas que suas razões estão escritas em língua estranha que desconhecemos.
Dessas razões escritas em língua estranha o próprio Drummond tinha conhecimento e se perguntava:
” Como decifrar pictogramas de há 10 mil anos e nem sei decifrar minha escrita interior? (…) A verdade essencial é o desconhecido que me habita e a cada amanhecer me dá um soco.”
O amor será isto: um soco que o desconhecido me dá?
Ao apaixonado a decifração desta língua está proibida, pois se ele a entender, o amor se irá. Como na história de Barba Azul: se a porta proibida for aberta, a felicidade estará perdida. Foi assim que o paraíso se perdeu: quando o amor-frágil bolha de sabão-, não contente com sua felicidade inconsciente, deixou-se morder pelo desejo de saber. O amor não sabia que sua felicidade só pode existir na ignorância das suas razões. (…)
Fonte: Retratos de Amor
Rubem Alves- Papirus Editora-
Campinas/2004
Imagens: Google
