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6
set
Domingo é Dia de Poetar

eu quero
amor piscina
que sobe e desce trampolins
cai e sai nadando
amor em que se afunda e simplesmente
sai se amando

- Martha Medeiros in “Poesia Reunida”

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Moraes

não morro de amores
por pessoas sem mistério
quando se é muito transparente
muito risonho e educado
é raro ser levado a sério
prefiro os mais silenciosos
os que abrem a boca de menos
os mais serenos e mais perigosos
aqueles que ninguém define
e que sempre analisam os fatos
por um novo enfoque
prefiro os que têm estoque
aos que deixam tudo à mostra na vitrine

- Martha Medeiros in “Poesia Reunida”

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.


- Carlos Drummond de Andrade

Por quê?

Por que nascemos para amar, se vamos morrer?
Por que morrer, se amamos?
Por que falta sentido
ao sentido de viver, amar, morrer?

- Carlos Drummond de Andrade


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Flor?

Tá sempre aqui! e já deixou 14 comentários.

setembro 6th, 2009 às 8:31 pm
1

Que deleite, Sonia!
Eles são o máximo!

Uma semana cheiinha de poesia prá ti!

Bjs
?

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Sonia via Rec6

Tá sempre aqui! e já deixou 6423 comentários.

setembro 7th, 2009 às 4:23 am
2

Compartilhando as Letras » Blog Archive » Domingo é Dia de Poetar…

eu quero
amor piscina
que sobe e desce trampolins
cai e sai nadando
amor em que se afunda e simplesmente
sai se amando

- Martha Medeiros in %CPoesia Reunida%D…


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Mara

Oba!!! Já comentou 2 vezes.

outubro 18th, 2009 às 10:14 pm
3

Sonia,
Estou simplesmente adorando o seu blog. Entrei meio que sem querer, e terminei por querer ver até onde se chega. Adoro poesias e a forma como pessoas como você escreve. Engraçado… Você também gosta de poetas que tenho verdadeira admiração.
Parabéns pela qualidade e bom gosto.
Um abraço!

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