
Casinha
As casas estão ligadas ao amor. “Tu não te lembras da casinha pequenina onde o nosso amor nasceu? Tinha um coqueiro do lado que – coitado! – de saudade já morreu”. O amor por uma pessoa começa do mesmo jeito como começa o amor por uma casa.
Vem primeiro o visível: a gente vê a casa, a gente vê um rosto, um corpo. E aquele sentimento de querer morar naquela casa, de querer morar naquele corpo … O que se imagina não pode se comparar ao que se vê. O que se vê é apenas um ponto em torno do qual a imaginação pinta a cena de felicidade. Sim, quero morar na casa, essa casa que vejo, de paredes brancas e janelas azuis porque estou amando tudo aquilo que acontecerá nela. Amo a casa de paredes brancas e janelas azuis pelos sonhos que a envolvem.Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– Por que a rosa não mais floresce?”
Dor da paixão
Começo minha inútil meditação com um verso terrível de T.S. Eliot. Ele está rezando. Ele sabe que somente Deus tem poder para lidar com a loucura da paixão. Ele reza assim: “… e livra-me da dor da paixão não satisfeita, e da dor muito maior da paixão satisfeita”.
Todo mundo sabe que paixão não satisfeita dói.
Mas poucos sabem que a paixão só existe se não for satisfeita. A paixão é um desejo de posse que, para existir, não pode se realizar. Como a fome: depois do almoço a fome acaba.
Paixão é fome. Ela só floresce na ausência do objeto amado. Mais precisamente, ela vive da ausência do objeto amado. Não se trata de ausência física, o objeto amado distante, longe. A dor da ausência física tem o nome de saudade. Saudade tem cura. A saudade é curada quando o objeto volta. A dor da paixão é diferente. Não tem cura. A saudade do objeto amado, mesmo quando ele está presente, é o perfume característico da paixão.Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– Aos Apaixonados”
O esquecimento é uma graça
O esquecimento, freqüentemente, é uma graça. Muito mais difícil que lembrar é esquecer! Fala-se de “boa memória”. Não se fala de “bom esquecimento”, como se esquecimento fosse apenas memória fraca. Não é não.
Esquecimento é perdão, o alisamento do passado, igual ao que as ondas do mar fazem com a areia da praia durante a noite.Rubem Alves in “O AMOR QUE ACENDE A LUA
– O Cemitério”
Artigos Correlatos
Rubem Alves é mesmo um gênio! Quanto mais leio, mais acredito nisso!
Sonia, o visual do seu blog ficou lindo. Só peço uma coisa: aumente um pouco as letras. Para um míope como eu, é muito difícil ler essas letrinhas tão miúdas, inclusive aqui nos comentários. No mais, tudo beleza!
Bjoooooo!!!!!!!!
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As casas estão ligadas ao amor. “Tu não te lembras da casinha pequenina onde o nosso amor nasceu? http://bit.ly/168gJv
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O esquecimento, freqüentemente, é uma graça. Muito mais difícil que lembrar é esquecer! http://bit.ly/168gJv
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[...] This post was mentioned on Twitter by Sonia Regly. Sonia Regly said: http://compartilhandoasletras.com/?p=1570 [...]
O esquecimento, freqüentemente, é uma graça. Muito mais difícil que lembrar é esquecer!http://compartilhandoasletras.com/?p=1570
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Sonia, seus fragmentos selecionados são ótimos. Amo o Rubem Alves e é muito interessante o que vc colhe dele. Amei seu bog. Parabéns
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dor da paixão,saudade interessante grande Rubem Alves.
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