nov
15
Fragmentos poéticos de Mário Quintana

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas

que o vento não conseguiu levar:

um estribilho antigo

um carinho no momento preciso

o folhear de um livro de poemas

o cheiro que tinha um dia o próprio vento…

O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro.

****

Quando eu for, um dia desses,

Poeira ou folha levada

No vento da madrugada,

Serei um pouco do nada

Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar

Pareça mais um olhar,

Suave mistério amoroso,

Cidade de meu andar

(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso…

Os poemas são pássaros que chegam

não se sabe de onde e pousam

no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam vôo

como de um alçapão.

Eles não têm pouso

nem porto;

***

Nunca dês um nome a um rio:

Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,

Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança

Das outras vezes perdidas,

Atiro a rosa do sonho

Nas tuas mãos distraídas…

Nunca ninguém sabe se estou louco para rir ou para chorar

Pois o meu verso tem essa quase imperceptível tremor…

A vida é louca, o mundo é triste:

vale a pena matar-se por isso?

Nem por ninguém!

Só se deve morrer de puro amor!

***

Quando duas pessoas fazem amor

Não estão apenas fazendo amor

Estão dando corda ao relógio do mundo

Imagens:  CURIOSANDO do amigo maravilhoso Rodrigo Piva

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento..    No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento…
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6 Comentários

 LISONN
 domingo, 15 de novembro de 2009
 7:33 pm
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Saudações!
Amiga Sonia Regly,
Os fragmentos poéticos de Mario Quintana, que você selecionou, são simplesmente de valores imensuráveis… Absolutamente magistral!
Parabéns pelo lindo Post!
Abraços,
LISON.





 SMeltzer
 domingo, 15 de novembro de 2009
 8:26 pm
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“Ser Poeta é ter os olhos cravados no infinito e a alam repleta de estrelas”. LIndo seu blog. As poesias falam sem falar .Um grande Abraço. SMeltzer





 Raquel Rfc
 domingo, 15 de novembro de 2009
 8:06 pm
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xiiiiiiiiiiiiiii
Misturei tudo 9*

O comentário que deixei no “Rubens ” era para o Mário Quintana.

Vou colocar aqui para ficar no lugar certo
whoa whoa

Gosto muito de Mario Quintana, principalmente sobre algumas “verdades” quase politicamente incorretas que ele põe em alguns de seus poemas.

Aproveito para deixar + uma das frases dele : “A arte de viver é simplesmente a arte de conviver … simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!” (Mário Quintana)

Abs
Raquel Rfc





 Débora
 domingo, 15 de novembro de 2009
 8:32 pm
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Querida, maravilhoso Mario Quintana… Até sem palavras para descrevê-lo.
Seu post ficou perfeito, e as imagens então… Nossa!

Parabés amiga.
Beijo





 Maria Souza
 domingo, 15 de novembro de 2009
 11:38 pm
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Bem, Mario Quintana é desses que dispensam comentários até.
Seria falar o que nem sabemos para expressar tudo que já foi dito, não é verdade?

Dizer que cruzávamos com ele pela rua da Praia (nossa principal rua comercial) sempre de bom humor e falando com todo mundo…não importando branco, preto, rico ou pobre.

Viveu naquele lindo hotel cor de rosa forte, onde até hoje abriga cultura.

Entretanto, toda essa espetacular serventia à cultura não lhe rendeu ganhos, muito pelo contrário, morava no hotel (meu sonho) sob as espenças dos empresários e amigos.

Morreu pobre financeiramente, muito pobre…mas rico em legado de enriquecimento da alma e dos amores vindos e findos.

beijos, Maria Souza – Porto Alegre – RS





 Cris Linardi
 domingo, 15 de novembro de 2009
 3:05 pm
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A poesia de Quintana é tão leve, que por vezes penso estar subindo em vapores de nuvens. Estou lendo um livro seu e a cada página virada tenho um pacífico refrigério. Deus sabe como meu íntimo busca sabedoria em cada pérola sua vislumbrada, digo letra trançada num poema divinamente escrito.
Adorei teu blog…compartilhar letras é o que faço no meu também. Te faço um convite a conhecê-lo.
Grande beijo!





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