
A BELA ADORMECIDA
Estou alegre e o motivo
beira secretamente à humilhação,
porque aos 50 anos
não posso mais fazer curso de dança,
escolher profissão,
aprender a nadar como se deve.
No entanto, não sei se é por causa das águas,
deste ar que desentoca do chão as formigas aladas,
ou se é por causa dele que volta
e põe tudo arcaico, como a matéria da alma,
se você vai ao pasto,
se você olha o céu,
aquelas frutinhas travosas,
aquela estrelinha nova,
sabe que nada mudou.
O pai está vivo e tosse,
a mãe pragueja sem raiva na cozinha.
Assim que escurecer vou namorar.
Que mundo ordenado e bom!
Namorar quem?
Minha alma nasceu desposada
com um marido invisível.
Quando ele fala roreja
quando ele vem eu sei,
porque as hastes se inclinam.
Eu fico tão atenta que adormeço
a cada ano mais.
Sob juramento lhes digo:
tenho 18 anos. Incompletos.
Autora: Adélia Prado
Eu adorei essa poesia de Adélia Prado. Pois é justamente aos 50 anos que, estou fazendo tudo o que eu sempre quis fazer: aprendendo teclado, aprendendo a dirigir, fazendo cursos de Informática etc…
Acho que a vida começa aos cinquenta. Por quê? Os filhos estão criados, alguns casados, não temos aquela preocupação de colocar para a Escola, ensinar os deveres de casa, acompnhar nas aulas extras etc…
Estou adorando ter cinquenta anos, não me sinto com cinquenta, me sinto bem e confortável. A experiência, a tranquilidade, o olhar a vida de outra maneira é uma característica da idade. A gente não mais se desepera, deixa as coisas fluírem normalmente. Deixa o rio seguir seu rumo, calmo,sereno e tranquilo.
Beijocas cinquentonas!
Meu nome é Sonia, sou casada com Antonio, mãe de Lívia e Evelyn,
avó de Gabriel e Giovanna. Sou calmíssima, não esquento com nada. Também
sou alegre, amiga, meiga, dengosa, criativa. Meu marido diz que sou
cômica, pois quando conversamos ele sempre acaba rindo muito. Ele também
me acha cômica porque todos os filmes românticos que assistimos juntos
ele chorou e eu caí na gargalhada: Romeu e Julieta, Dio come ti amo, Ao
mestre com carinho e Titanic. Que fazer? Eu sou assim, não choro quando
vejo filme... rs.










sábado, 21 de novembro de 2009
2:50 am
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Sonia,
O poema é lindo, e o seu parecer sobre ser uma cinqüentona também.
“Eu acabei de completar 50 anos, e hoje eu sei muito mais coisas do que quando tinha 20 anos…
Aprendi a viver com mais amor, com mais sabor…
Aprendi que não ficamos velha, mas ficamos sábias…
Aprendi que os nossos erros são marcas que deixamos para que novos erros não sejam cometidos…
Aprendi que a criança que temos dentro de nós jamais perecerá…
O corpo sim, este já não está como era antes… As curvaturas se foram, os cabelos já não têm mais o brilho de antes, a agilidade e a rapidez com que andávamos já não é a mesma…
Mas, o mais importante, é que nossas mentes estão mais repletas, mais completas de ensinamentos que a própria vida nos deu.
As perdas sofridas, as dores que passamos, as vezes em que choramos, ou mesmo as que sorrimos, estas serão guardadas na memória, mas não ficaremos mais velhas por causa disso…
Não sou pretensiosa ao ponto de dizer que quero viver mais 50 anos, mas digo que quero viver o tempo que me resta com a mesma juventude dos meus 20 anos, mas com a experiência e a maturidade dos meus 50 anos”. (Rosana)
Parabéns pelo texto.
Bjs.
Rosana.