
Aquele menino, aparentando uns 7 anos, todo dia na hora da merenda estava agarradinho com uma lata de Nescau. Pensei comigo, ele deve levar ali dentro: biscoitos, doces ou bolo para a merenda. Comecei a observá-lo. Todos os dia ele descia com a lata de Nescau e não a soltava por nada desse mundo!
Fiquei curiosa e, resolvi perguntar. Ele me disse:
” Tia, eu tenho um irmão que não estuda ainda, eu levo um pouco de comida para ele.”
Meu Deus! Tão pequenininho e preocupado com o irmão. Conversei com a direção e resolvemos deixar o irmão almoçar junto com ele, comer na hora da merenda dele. Fiquei com meu coração comovido. Tantas das vezes em nossa casa, temos comida, sobremesa, lanche, e às vezes deixamos até estragar …
Aquele menininho, preocupado com o bem e a alimentação do irmão menor. Essas crianças, geralmente não têm a família presente. Os pais saem cedo, eles se viram nos trinta, como ele nos confidenciou. Que mundo tão desigual vivemos. Eu queria ter dinheiro, ser alguém de posses para poder ajudar.
Eu observo as crianças, noto quem não têm sapatos, às vezes está um frio de manhã e aquela criança de chinelos. Procuro ver junto com minhas amigas um tênis, de um filho, de um neto, de um parente e doamos para os que precisam. As vezes está muito frio e eles sem nenhum agasalho, só com a blusa do uniforme. Procuramos providenciar e suprir naquele momento as necessidades atuais. Muita desigualdade!! Muitas famílias sem pespectivas de empregos melhores, futuros mais prósperos. Nós professores, somos pau pra toda obra!!! Nós nos viramos nos 30!!! Nós costuramos blusas, fazemos bainhas, fazemos curativos, somos psicólogos: ouvimos, aconselhamos, damos atenção necessária. Tínhamos um aluno que todos os dias, vinha à Secretaria para colocarmos Band Aid, depois descobrimos que era da atenção, do cuidado, do carinho que ele gostava. Aí, inventava machucados, cortes, feridas, só para estar alí, juntinho dos professores, sendo atendido, sendo tratado. Minha Escola têm quase mil alunos, vocês devem imaginar todos os tipos de problemas que, precisamos administrar. Somos uma gotinha no oceano, mas temos procurado fazer a nossa parte. Sei que lá no futuro, muitos se lembrarão com saudades dos tempos vividos consco,do carinho,afeto,atenção. Somos mães!!! Somos psicólogas, somos pediatras, somos bombril,mil e uma utilidades!!
“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.” (Madre Teresa de Calcutá)
Meu nome é Sonia, sou casada com Antonio, mãe de Lívia e Evelyn,
avó de Gabriel e Giovanna. Sou calmíssima, não esquento com nada. Também
sou alegre, amiga, meiga, dengosa, criativa. Meu marido diz que sou
cômica, pois quando conversamos ele sempre acaba rindo muito. Ele também
me acha cômica porque todos os filmes românticos que assistimos juntos
ele chorou e eu caí na gargalhada: Romeu e Julieta, Dio come ti amo, Ao
mestre com carinho e Titanic. Que fazer? Eu sou assim, não choro quando
vejo filme... rs.










segunda-feira, 23 de novembro de 2009
11:56 pm
Mozilla Firefox 3.5.5 on Windows XP
Olá Sonia,
Essa é a realidade das Escolas Públicas. Infelizmente muitas dessas crianças ainda são maltratadas, vêm de famílias desestruturadas pelos vícios, pela tirania, pela fome, pelo desemprego… enfim, são muitas as causas e tão pouca solução.
Mas ainda bem que existem pessoas, iguais a você, que persistem no bem, uma gota no oceano, mas ainda uma gota. Pior seria a seca total, não é mesmo?
Parabéns!
Beijos
Bel