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23
nov
Eles querem atenção e cuidado

Aquele menino, aparentando uns 7 anos, todo dia na hora da merenda estava agarradinho com uma lata de Nescau. Pensei comigo, ele deve levar ali dentro: biscoitos, doces ou bolo para a merenda. Comecei a observá-lo. Todos os dia ele descia com a lata de Nescau e não a soltava por nada desse mundo!
Fiquei curiosa e, resolvi perguntar. Ele me disse:
” Tia, eu tenho um irmão que não estuda ainda, eu levo um pouco de comida para ele.”
Meu Deus! Tão pequenininho e preocupado com o irmão. Conversei com a direção e resolvemos deixar o irmão almoçar junto com ele, comer na hora da merenda dele. Fiquei com meu coração comovido. Tantas das vezes em nossa casa, temos comida, sobremesa, lanche, e às vezes deixamos até estragar …
Aquele menininho, preocupado com o bem e a alimentação do irmão menor. Essas crianças, geralmente não têm a família presente. Os pais saem cedo, eles se viram nos trinta, como ele nos confidenciou. Que mundo tão desigual vivemos. Eu queria ter dinheiro, ser alguém de posses para poder ajudar.
Eu observo as crianças, noto quem não têm sapatos, às vezes está um frio de manhã e aquela criança de chinelos. Procuro ver junto com minhas amigas um tênis, de um filho, de um neto, de um parente e doamos para os que precisam. As vezes está muito frio e eles sem nenhum agasalho, só com a blusa do uniforme. Procuramos providenciar e suprir naquele momento as necessidades atuais. Muita desigualdade!! Muitas famílias sem pespectivas de empregos melhores, futuros mais prósperos. Nós professores, somos pau pra toda obra!!! Nós nos viramos nos 30!!! Nós costuramos blusas, fazemos bainhas, fazemos curativos, somos psicólogos: ouvimos, aconselhamos, damos atenção necessária. Tínhamos um aluno que todos os dias, vinha à Secretaria para colocarmos Band Aid, depois descobrimos que era da atenção, do cuidado, do carinho que ele gostava. Aí, inventava machucados, cortes, feridas, só para estar alí, juntinho dos professores, sendo atendido, sendo tratado. Minha Escola têm quase mil alunos, vocês devem imaginar todos os tipos de problemas que, precisamos administrar. Somos uma gotinha no oceano, mas temos procurado fazer a nossa parte. Sei que lá no futuro, muitos se lembrarão com saudades dos tempos vividos consco,do carinho,afeto,atenção. Somos mães!!! Somos psicólogas, somos pediatras, somos bombril,mil e uma utilidades!!

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.” (Madre Teresa de Calcutá)

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Isabel

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novembro 23rd, 2009 às 11:56 pm
1

Olá Sonia,
Essa é a realidade das Escolas Públicas. Infelizmente muitas dessas crianças ainda são maltratadas, vêm de famílias desestruturadas pelos vícios, pela tirania, pela fome, pelo desemprego… enfim, são muitas as causas e tão pouca solução.
Mas ainda bem que existem pessoas, iguais a você, que persistem no bem, uma gota no oceano, mas ainda uma gota. Pior seria a seca total, não é mesmo?
Parabéns!
Beijos
Bel

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Leh

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novembro 24th, 2009 às 12:29 am
2

Tem razão, professores são como ou mais do que os próprios pais. E além disso, muita sensibilidade!

Vou-lhe oferecer esta frase que aprecio e uso muitas vezes:

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.” (Madre Teresa de Calcuta)

Bela mensagem!

Parabéns!

Beijos

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Bill Falcão

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novembro 24th, 2009 às 1:10 am
3

É de partir o o coração, Sonia! Mas temos de ser essa gota no oceano, como dizia a Madre Teresa!
Bjooooo!!!!!!!!!

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LISONN

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novembro 24th, 2009 às 1:47 am
4

Saudações!
Amiga Sonia Regly,
Essa é a resistente moldura do quadro em que se encontram milhares de crianças nas escolas. Muitos escondem, adulteram pesquisas sociais, e veiculam a peso de ouro um mundo “maravilha” nos meios de comunicação, são feitos medíocres e criminosos, enganam professores, cidadãos e inocentes.
O que os professores fazem, estão muito além de seus limites, são verdadeiros sacerdotes, ainda assim, continuam a levar o pão da cultura e na maioria das vezes o pão dia cada dia a centenas de estudantes.
Parabéns pelo seu texto!
Abraços fraternos,
LISON.

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Elisa Cunha.

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novembro 24th, 2009 às 1:13 pm
5

Paz amada!
É triste essa desigualdade que vivemos…
Lembrei de uma vez quando eu trabalhava numa loja de calçados,em pleno verão uma menina de uns4 anos andava com o irmão no calçadão da nossa cidade,os dois com botas de chuva.
Ela mal podia andar,resolvemos falar com eles,e quando ela tirou a bota estava com “bicho-de-pé”.(Imagina a aflição com aquelas botas!)Resolvemos levá-la no pronto socorro e compramos uma sandália pra ela.Foi lindo ver a carinha de felicidade dela!
smack

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Geraldo

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novembro 24th, 2009 às 11:29 pm
6

Ahhh, o coração dos professores é enorme… lembro com muita saudade do carinho de minha professora no primário (faz tempo…)

Lógico que eu falei de um tempo em que havia respeito e admiração entre as partes. Aprendi a respeitar e admirar meus professores pelo devotamento que eles tinham. Hoje, infelizmente, com a falencia de algumas estruturas familiares o respeito tá em falta. Pior que vi um vídeo no Bom Dia Brasil em que alunos da 6ª série do sul da cidade de São Paulo depredavam totalmente uma sala de aula.

Abraço

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