
Soneto do amor total
Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Ternura
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma…
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

Amor em paz
Eu amei
Eu amei, ai de mim, muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar
Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você a razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz

Imagens: CURIOSANDO do genial amigo de sempre, Rodrigo Piva. Obrigada pelo carinho da amizade .


Recomeçar
” Desejo a máquina do tempo para que não haja o havido e eu recomece misericordiosamente.”
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Adélia Prado – Os componentes da banda

A paciência de Deus sentou de pernas cruzadas
na platibanda da igreja
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Adélia Prado
(O coração disparado – p. 91)
pintura de Monet
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Minha alma é um bolso onde guardo minhas memórias vivas. Memórias vivas são aquelas que continuam presentes no corpo. Uma vez lembradas, o corpo ri, chora, comove-se, dança…
“O que a memória amou fica eterno”.
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Adélia Prado

“ Fui dormir umas vezes, tão feliz, que, se soubesse minha força, levitava .
Em outras, tanta foi a tristeza que fiz versos.”
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Adélia Prado
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Imagens: Pinturas de Monet (Google)
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Leonardo da Vinci foi um dos maiores gênios da humanidade. Pintor, músico, construtor de instrumentos musicais; compunha, improvisava; arquiteto, escultor, imaginava máquinas de
todos os tipos, inclusive voadoras;

estudou os fósseis, a meteorologia, a anatomia; amava os cavalos. Pois fiquei sabendo que, além de tudo isso, ele se dedicava à culinária. No final do século xv, foi trabalhar na corte de Ludovico Sforza, governante e protetor da cidade de Milão. Lá ele não só inventava utensílios culinários( foi ele que inventou a tampa para panelas), como também coordenava eventos pantagruélicos. Aqui
vão os nomes de alguns dos pratos que se serviam nos banquetes: crista de galo com miolo de pão, testículos de carneiro com creme e mel, rabos de porco com polenta, pastelão de cabeça de cabra, sopa de rã, enguias cozidas, galinha recheada com uvas, sopa de caracóis, intestinos de truta*…
** Quem quiser experimentar as receitas leia Os cadernos de cozinha de Leonardo da Vinci, Rio de Janeiro, Editora Record, 2002.
Fonte: Quarto de Badulaques- Rubem Alves


Millôr Fernandes (Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1923) é um desenhista, humorista, dramaturgo, escritor e tradutor brasileiro, dos bons!
“Um fato é concreto. Quem inventou o alfabeto foi um analfabeto.” Millôr Fernandes.
Poeminha sobre o Tempo
O despertador desperta,
acorda com sono e medo;
por que a noite é tão curta
e fica tarde tão cedo?
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Millôr Fernandes
in “Pif-Paf”
Frases Ilustradas do amigo Ceó Pontual.


Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta. Entramos no casulo fabricado com tanta dificuldade, e ficamos quase sem sonhar. Quem nos vê nos julga alheados, quem já não nos escuta pensa que emudecemos para sempre, e a gente mesmo às vezes desconfia de que nunca mais será capaz de nada claro, alegre, feliz. Mas quem nos amou, se talvez nos amar ainda há de saber que se nossa essência é ambigüidade e mutação, este silencio é tanto uma máscara quanto foram, quem sabe, um dia os seus acenos.”
- Lya Luft

Guardei-me para ti
Guardei-me para ti como um segredo
Que eu mesma não desvendei:
Há notas nesta guitarra que não toquei,
Há praias na minha ilha que nem andei.
É preciso que me tomes, além do riso e do olhar,
Naquilo que não conheço e adivinhei;
É preciso que me ensines a canção do que serei
E me cries com teu gesto
Que nem sonhei.
- Lya Luft

É bem certo que o difícil não é viver com as pessoas, o difícil é compreendê-las
- José Saramago in “Ensaio sobre a Cegueira”

Mas tenho em mim uma coisa que você se esqueceu de dizer: a capacidade de amar anonimamente, sem pedir nada em troca, sem reconhecimento, sem perdão.
Fernando Sabino in “0 Encontro Marcado”

Imagens: Curiosando, do amigo de sempre Rodrigo Piva

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José Abelardo Barbosa de Medeiros (Surubim, 30 de setembro de 1917 — Rio de Janeiro, 30 de junho de 1988), o Chacrinha, foi um grande comunicador de rádio e um dos maiores nomes da televisão no Brasil.
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Frases Ilustradas do amigão Ceó Pontual

