
Breve Encontro
Este é o amor das palavras demoradas
Moradas habitadas
Nelas mora
Em memória e demora
O nosso breve encontro com a vida
.Sophia de Mello Breyner Andresen

Escrever, para mim, é uma grande brincadeira. É o prazer que me conduz pelas palavras! Lembro de um amigo que escreve bons poemas mas, quando eu elogio ele diz: “escrever é coisa séria. Isso aqui é brincadeira.” Discordo frontalmente do meu amigo. Escrever é uma brincadeira honesta com as palavras mas, uma brincadeira, “uma aventura planejada” (como diz Pignatari). O que o meu amigo entende por sério é, exatamente, o ranço acadêmico do saber absoluto. E o saber é um mundo muito vasto para estar encerrado em um conceito ou receituários dogmáticos. Escrever é não temer o abismo da próxima vírgula. Escrever poemas é escrever vírgulas, pausas na vida do Império Prosa.
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Lau Siqueira
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TUDO QUE FAÇO ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.
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Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço -
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Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além…
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.
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Fernando Pessoa, Cancioneiro. Poesia Completa, Editora Nova Aguilar, p. 172

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“O fato central da minha vida foi a existência das palavras
e a possibilidade de tecê-las em poesia.”
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Jorge Luis Borges
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Artigos Correlatos
Que maravilha, Sônia!
Amei o seu post!
Acrescentando uma frase do Neruda que gosto muito:
“Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca as ideias.”
Abraço carinhoso,
Serenissima
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Nossa Sônia que profusão de belezas escritas e retratadas nessas fotos. Adorei o post, minha amiga, acrescentaria um poema de Neruda:
A dança
NÃO TE AMO como se fosses rosa de sal, topázio
Ou flecha de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma. Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,Senão assim deste modo em que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.ANTES de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se dependiam,
Perguntas que insistiam na areia.Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.PABLO NERUDA
Beijos e tudo de bom amiga! FEliz Natal e um ano novo de muita paz, saúde e amor pra todos de sua familia.
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As aranhas tecem teias, com seiva que tem dentro de si.
O homem tece poesias, com palavras que surgem em seu espírito.
Você aqui teceu maravilhas, com palavras e imagens iluminadas que parecem um sonho,
Parabéns!
Guimarães
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Senti uma profundidade gigantesca nestas palavras:
“O fato central da minha vida foi a existência das palavras
e a possibilidade de tecê-las em poesia.”
Lindo post!
Abs!
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Soninha, não só as mensagens são lindas… as imagens são belíssimas.
Bjs
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