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Milan Kundera, no seu livro A insustentável leveza do ser, medita sobre o mistério do amor entre Tomas e Tereza.
“Tereza sabe que é mais ou menos assim o instante em que nasce o amor: a mulher não resiste à voz que chama sua alma amedrontada; o homem não resiste à mulher cuja alma se torna atenta à sua voz”.
“Parece que existe no cérebro uma zona específica, que poderíamos chamar de memória poética, que registra o que nos encantou, o que nos comoveu, o que dá beleza à nossa vida. Desde que Tomas conhecera Tereza nenhuma outra mulher tinha o direito de deixar a marca, por efêmera que fosse, nessa zona do cérebro.”
“As metáforas são perigosas. O amor começa por uma metáfora. Ou melhor: o amor começa no momento em que uma mulher se inscreve com uma palavra em nossa memória poética”.
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Tomas amava Tereza porque ela lhe viera doente, sozinha, febril. Enquanto cuidava dela veio-lhe a imaginação uma criança indefesa, que vinha a ele numa cesta de vime nas águas de um rio, como aconteceu a Moisés.
Cassiano Ricardo colocou sua meditação sobre o amor num poema terrível, inspirado talvez na pergunta de Agostinho:
“O que amo quando te amo?” “Por que tenho saudade de você, no retrato, anda que o mais recente? E por que um simples retrato, mais que você, me comove, se você mesma está presente?”
O resto do poema é uma tentativa de dar uma resposta a essa pergunta. Mas a resposta é simples: o retrato, imóvel, sem respiração, é o lugar onde posso colocar a imagem daquela que amo e que mora em você mas não é você. Se não é você, é quem? Sou eu: “
Ninguém a outro ama, senão ama o que de si há nele, ou é suposto…”
Procuro-me na pessoa amada. Todos estamos à procura dos pedaços que nos foram arrancados.
No romance Quando Nietzsche chorou (maravilhoso!) Breuer pede a Nietzsche que o analise, em razão de uma paixão absurda: ele, quarentão, médico de reputação, casado, estava apaixonado por uma jovem histérica, Anna O., que se encontrava internada na sua clínica. A única pergunta que Nietzsche fazia ao apaixonado era:
“Qual é o sentido? Qual é o sentido?”
Traduzindo em nossa linguagem:
“Qual é o nome do peixe encantado que nada nessa fonte chamada Anna O.?”
Seria o seu sorriso de criança? Sua fragilidade? Sua dependência total? Faço a mesma pergunta a você: “Qual é o sentido?”
Roland Barthes perdeu a mãe. Ficou só. Na solidão empreendeu uma pesquisa: ajuntou todas as fotografias da sua mãe e foi, vagarosamente, uma a uma, procurando a imagem que ele amava. Porque não é em qualquer foto que a imagem aparece. Pois Barthes foi de fotografia em fotografia, todas de sua mãe, sem encontrar a imagem que ele procurava, até que a encontrou: uma velha fotografia de sua mãe criança! Era essa a imagem que ele amava: a criança que morava na sua mãe velhinha.
Mas, ditas todas essas coisas inúteis para os apaixonados, permanece a verdade do poema da Adélia Prado:
“O amor é a coisa mais alegre. O amor é a coisa mais triste. O amor é a coisa que eu mais quero…”
Rubem Alves
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@petescadas @juniorflor @EgleTavares @letisilva5555 @Mineiridades @DivaFurrier Sábado é Dia de Poetar com Rubem Alves http://i9v.me/20st
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l @sonia_regly @juniorflor @EgleTavares @letisilva5555 @Mineiridades @DivaFurrier Sábado é Dia de Poetar com Rubem Alves http://i9v.me/20st
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Sonia!Que maravilha este seu post!
Que prazer poder lê-lo! vou ler este livro que há tempos tinha curiosidade em ler : A insustentável leveza do ser! Sabe que estou com ele em mãos porque o trouxe hoje lá do projeto Domingo na Praça??
Coincidência!
Fiquei mais curiosa ao ler o trecho que você escreveu aqui: “ … é mais ou menos assim o instante em que nasce o amor: a mulher não resiste à voz que chama sua alma amedrontada;”
Aff! e acho que é isto mesmo!!
E concordo com isto: “O amor é a coisa mais alegre. O amor é a coisa mais triste. O amor é a coisa que eu mais quero…”
Adorei Sonia!!
Beijos, Vera.
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