
É tempo da floração das sibipirunas. Verdes e amarelas, elas cresceram dos dois lados da rua onde ando, transformando-a num longo túnel sombrio. Durante a noite, suas flores caíram, cobrindo a calçada e transformando-a num tapete dourado. Desço da calçada e ando no asfalto para não pisá-las. Lembro-me da voz misteriosa que falou a Moisés, de dentro da sarça que ardia: “Tira as sandálias dos teus pés, pois o chão onde pisas é santo”.
Para contemplar esse espetáculo, é necessário levantar cedo, pois logo as donas de casa e suas vassouras tratarão de restaurar no cimento a sua fria limpeza. Isso me dói, e com a dor vem o pensamento. Pergunto-me sobre a educação perversa que fez com que as pessoas se tornassem cegas para a beleza generosa das árvores, tratando suas folhas como se fossem sujeira. Mas as sibipirunas, indiferentes à cegueira dos homens e das vassouras repetirão o milagre durante a noite. Amanhã as calçadas estarão de novo cobertas de ouro.
Rubem Alves
Minha querida amiga Sônia, boa noite!!!
Um belo espetáculo, uma grande maravilha que ganhamos de presente de nosso Grande Deus… também acho que durante a floração que provoca este belo visual, as vassouras deveriam ficar de férias ou aposentadas… Lindo texto de Rubem Alves!
Parabéns pela excelente postagem, adorei minha amiga!!!
Grande abraço e muita paz!!!
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http://compartilhandoasletras.com/2010/10/27/a-beleza-generosa-das-arvores/
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