Gente, mudança é um horror!! Quanto mais você arruma, mais caixas e coisas aparecem. Parece que brota!!! Ufa!! Estou arrumando a casa desde 6a feira passada, aos poucos tudo vai tomando forma. Em obras, desde 2008, praticamente construímos uma casa nova. Agora , vem a hora de trocar os móveis para combinar com a casa totalmente reformada, alguns móveis já estavam fora de moda. Eita dúvida!! Eita como tudo é caro!!! Tirei algumas fotos , escolhendo a nova mobília.Olhem o detalhe da unha, cresceram, está lindinha!! . Confiram e, vamos poetar????
Meu amor independe do que me fazes.
Não cresce do que me dás.
Se fosse assim ele flutuaria ao sabor dos teus gestos.
Teria razões e explicações.
Se um dia teus gestos de amante me faltassem,
ele morreria como a flor arrancada da Terra.
Rubem Alves
Ao final de nossas longas andanças, chegamos finalmente ao lugar.E o vemos então pela primeira vez. Para isso caminhamos a vida inteira: para chegar ao lugar de onde partimos.E, quando chegamos, é surpresa.È como se nunca o tivéssemos visto. Agora, ao final de nossas andanças, nossos olhos são outros, olhos de velhice, de saudade.
Rubem Alves
Eu quero desaprender para aprender de novo.
Raspar as tintas com que me pintaram.
Desencaixotar emoções, recuperar meus sentidos.”
Ontem, estive no Salão do Livro, uma festa!! Notava-se na carinha dos alunos a satisfação, por estarem num lugar bonito, aprazível, chique,organizado e cheinho de novidades.
Comprei alguns volumes para atender a nossa clientela que é do Jardim ao 5º ano de escolaridade. Gosto de observar,notei o esmero e atenção de alguns professores com seus alunos. Alguns atentamente, dando orientação, quanto a compra e leitura de alguns títulos. Professor é extremamente caprichoso, ligados todo o tempo na movimentação da turma. Vi, estandes recheados de livros, bonitos,coloridos, atraentes,mas, nem todos acessíveis ao bolso dos alunos.
Observei um aluninho que, veio correndo mostrar a vendedora, um livro todo ilustrado, algo que ele havia escolhido para levar. Vi, que a professora( ou acompanhante) lhe disse:
- Seu pai mandou cinquenta reais, dá pra levar!
Fiquei feliz por haver pais que se interessam, incentivam, e querem ver os filhos ligados na boa leitura. Pena que não é a maioria. O menino saiu com os olhos brilhando de alegria e acreditem ,ele estava satisfeito, pois levava para casa um livro escolhido por ele.
Compramos alguns livros bem interessante para nossa Sala de Leitura, procuramos, dentro do possível, levar livros para todas as faixas etárias da nossa Escola. Uma experiência gratificante e um show de organização com a parceria da Prefeitura do Rio.
Como amanhã é o Dia dos Namorados, não poderia deixar de falar de amor. Esse sentimento tão lindo que muda toda uma história, dá sentido a vida, nos faz dançar, pular,olhamos o mundo de outro prisma de forma que ele tenha mais brilho. Escolhi esses pequenos fragmentos do livro Retratos de Amor do Rubem Alves. Espero que vocês se deliciem:
O amor feliz, sem literatura, sem fama , sem que ninguém conheça. Basta-nos a felicidade aliterária do amor feinho, como Adélia Prado o batizou carinhosamente. Estou certo de que era isso que Abelardo e Heloísa teriam desejado.
(…)Para isto se escrevem as cartas de amor. Não para dar notícias, não para dar conta de nada, não para repetir as coisas por demais sabidas, mas para que mãos separadas se toquem, ao tocarem a mesma folha de papel.Barthes cita estas palavras de Goethe: “Por que me vejo novamente compelido a escrever? Não é preciso, querida, fazer pergunta tão evidente, porque, na verdade, nada tenho para te dizer. Entretanto tuas mãos queridas receberão este papel…”
Volto a Álvaro de Campos. Será esta razão do ridículo das cartas de amor – o descompasso entre o que elas dizem e aquilo que elas realmente querem fazer? Pois o propósito explícito de uma carta é dar notícias, e é por isso que elas são feitas de palavras. Mas o que elas realmente desejam realizar está sempre antes e depois da palavra escrita: elas querem realizar aquilo que a separação proíbe: o abraço. Quem quer que tente entender uma carta de amor pela análise da escritura estará sempre fora de lugar, pois o que ela contém é o que não está ali, o que está ausente. Qualquer carta de amor, não importa o que se encontre nela escrito, só fala do desejo, a dor da ausência, a nostalgia pelo reencontro.(…)
Todo mundo conhece os riscos trazidos pela obesidade- diabetes, doenças cardiovasculares, menor expectativa de vida. Mas uma nova descoberta está surpreendendo a comunidade científica: a gordura também causa danos ao cérebro. Pesquisadores da Universidade de Nova York estudaram o cérebro de 63 pessoas- 44 delas tinham sobrepeso ou obesidade e as demais eram magras. A experiência constatou que, nos indivíduos obesos ou acima do peso, o cérebro apresentava duas alterações importantes:
* Tinham níveis mais altos de fibrinogênio, uma proteína que causa inflamação.
* E menor córtex orbitofrontal- região cerebral que coordena a tomada de decisões.
Os cientistas ainda não sabem explicar exatamente como esse processo se desenrola. Mas apostam no seguinte: obesidade gera fibrinogênio, que gera inflamação, que gera danos ao córtex. E tudo isso gera consequências permanentes- e terríveis.
Essa inflamação, ao afetar a integridade do córtex orbitofrontal, pode reduzir o controle da pessoa sobre seus hábitos alimentares.
Afirma o estudo coordenado pelo psiquiatra Antonio Convit. Ou seja: indivíduo acima do peso poderiam se tornar neurologicamente incapazes de comer menos. Escravos do próprio apetite. E com dificuldade para se lembrar das coisas.
* Leia essa matéria na íntegra na Revista Super Interessante de Maio/2011
Saúde neste país é caso de polícia. Não deveria ser, mas é! Passei mal de pressão alta nessa madrugada de domingo, fui socorrida em um hospital da rede credenciada do plano de saúde. Pra começar, deveria se chamar: Plano de Doença, visto que só o usamos quando nos sentimos mal.
Logo que chegamos ao Hospital, ao invés de atenderem o paciente , ficam primeiramente fazendo a ficha cadastral e você que nem se aguenta em pé , sofrendo e esperando… Deveriam atender logo, ainda mais pressão alta que, nos deixa fora do prumo, e posteriomente, preencher aquele monte de informações. Fui num hospital na Tijuca, fiquei 3 horas em observação, devidamente agasalhada, eu morria de frio, e o tempo chuvoso do domingo, mais frio ainda fazia. Bastante tempo depois, já estava mais de uma hora internada na emergência , é que a enfermeira trouxe um lençol para me cobrir. Ela deveria ter feito isso logo assim que eu cheguei!! Quando estamos passando mal o corpo reage totalmente diferente do que estamos acostumados. Mais, deixemos esses acidentes de percurso pra lá , pois somos humanos, e vamos louvar a Deus:
Leva-me Além
Toque no Altar
Render a ti adoração
E derramar meu ser
É o que meu coração
Deseja toda manhã
Te imaginar
É me inspirar
Pra te dizer
Estou apaixonado
Cada vez mais por ti
Senhor tu és incomparável
Teu nome é maravilhoso
Leva-me além
Leva-me além
A um nível mais profundo
De intimidade contigo ó senhor
Leva-me além
Leva-me além
Que a minha vida
Flua mais da tua unção
Mais do teu poder
Eu a escrevi faz muito tempo — uma estória de amor. Quem a leu, eu sei, não se esqueceu. Por razão do dito pela Adélia: ” o que a memória ama fica eterno”. História de amor não inventada, acontecida, tão comovente quanto Romeu e Julieta, Abelardo e Heloísa. O que fiz foi só registrar o acontecido.
Preciso contá-la de novo, para benefício daqueles que não a leram pela primeira vez, e a fim de acrescentar um final novo, inesperado, acontecido depois.
A testemunha que me relatou o sucedido foi sobrinho, médico-músico, pessoa querida e bonita. Atrasou-se para um compromisso na minha casa, chegou três horas depois, explicando que havia ido ao velório de um tio de 81 anos de idade que morrera de amor. Parece que seu velho corpo não suportara a intensidade da felicidade tardia, e os seus músculos não deram conta do jovem que, repentinamente, dele se apossara.
O amor surgira no tempo em que ele é mais puro: a adolescência. Mas naqueles tempos havia uma outra Aids, chamada tuberculose, que se comprazia em atacar as pessoas bonitas, os artistas, os apaixonados — esses eram os grupos de risco.
Pois ela, a tuberculose, invejosa da felicidade dos dois, alojou-se nos pulmões do moço, que teve de ir em busca de ar puro, no alto das montanhas, sanatório, tal como Thomas Mann descreve em seu livro -A montanha mágica.
Quem ia para tais lugares despedia-se com um “adeus”, um olhar de “nunca mais”. Na melhor das hipóteses, muitos anos haveriam de passar antes do reencontro. Imagino o sofrimento da jovem dividida: o corpo, naquela casa, a alma por longe terra! Na vida daquela menina, que surda, perdida guerra… (Cecília Meireles).
Valeram mais os prudentes conselhos da mãe e do pai: não trocar o certo pelo duvidoso. Vale mais um negociante vivo que um tuberculoso morto. E aconteceu com ela o que aconteceu com a Firmina Dazza, que de longe e às escondidas namorava o Fiorentino Ariza, na estória de Gabriel García Márquez Amor nos tempos do cólera, que foi obrigada pelo pai a se casar com o doutor Urbino: não se troca um médico por um escriturário. Casou e com ele ficou até que, depois de 51 anos, veio a libertação…
Ela casou. Ele casou. Nunca mais se viram. Quando ele tinha 76 anos, ficou viúvo. Quando ela tinha 76 anos (ele tinha 79), ela ficou viúva. E ficou sabendo que ele estava vivo. A curiosidade e a saudade foram fortes demais. Foi procurá-lo. Encontraram-se. E, de repente, eram namorados adolescentes de novo.
Resolveram casar-se. Os filhos protestaram. Eles, os filhos, todos os filhos, não suportam a idéia de que os velhos também têm sexo. Especialmente os pais. Pais velhos devem ser fofos, devem saber contar estórias, devem tomar conta dos netos. Mas velho apaixonado é coisa ridícula. Não combina. Mais detalhes no livro da Simone de Beauvoir sobre a velhice.
Os filhos sempre decidem contra o amor dos pais.
Mas, na nossa estória, os dois velhos deram uma solene banana para os filhos e foram viver juntos em Poços de Caldas. Viveram um ano de amor maravilhoso, e ele até começou a escrever poesia e voltou a tocar o violino que ficara por mais de 50 anos sobre um guarda roupa, porque a esposa não gostava de música de violino. Confessou ao sobrinho: “Se Deus me der dois anos de vida com esta mulher, minha vida terá valido a pena…” Bem que Deus quis.
Mas o corpo não deixou. Morreu de amor, como temia o Vinícius. Achei a estória tão bonita que a transformei numa crônica a que dei um título inspirado nas Sagradas Escrituras: “… e os velhos se apaixonarão de novo”.
Começa aqui o novo final para a estória.
Passaram-se semanas. Eram dez horas. Eu estava trabalhando no meu escritório. O telefone tocou. Voz aveludada de mulher do outro lado.
— É o professor Rubem Alves?
— Sim, respondi secamente. Eu sou sempre seco ao telefone.
— Quero agradecer a belíssima crônica que o senhor escreveu com o título: ” …e os velhos se apaixona-rão de novo”. O senhor já deve ter adivinhado quem está falando….
— Não, respondi. Por vezes eu sou meio burro. Aí ela se revelou:
— Sou a viúva.
Foi o início de uma deliciosa conversa de mais de 40 minutos, interurbano, em que ela contou detalhes que eu desconhecia. O medo que ela teve quando ele resolveu mandar consertar o violino! Ela temia que os dedos dele já estivessem duros demais…
Ah! Que metáfora fascinante para um psicanalista sensível! Sim, sim! Nem os violinos ficam velhos demais, nem os dedos ficam impotentes para produzir música! E aí foi contando, contando, revivendo, sorrindo, chorando — tanta alegria, tanta saudade, uma eternidade inteira num grão de areia… Ao terminar, ela fez esta observação maravilhosa:
— Pois é, professor. Na idade da gente, a gente não mexe muito com sexo. A gente vive de ternura!
Rubem Alves