4
jan
2009
Cavucando o lixo


Para um pequeno e abnegado grupo de pesquisadores, a palavra arqueologia tem hoje um significado mais amplo que o do dicionário. Segundo o Houaiss, é a ” ciência que, utilizando processo como coleta e escavação, estuda costumes e culturas dos povos antigos através do material que restou da vida desses povos. Com as mesmas técnicas científicas, eles procuram desvendar o comportamento de uma comunidade, estudando os restos. Só que esses pesquisadores precisam ter estomago, pois em vez de buscarem relíquias ou cavernas, fazem suas descobertas sobre a sociedade atual   fuçando latas de lixo ou se metendo em enormes aterros. ” A história da nossa civilização é contada a partir de potes e panelas quebradas.Tudo o que sabemos vem do que os antigos jogavam fora.” Costuma dizer Rathje em suas aulas, encurtando a distância entre a arqueologia tradicional e a do lixo.

Entre as informações preciosas está a de que 15% da comida comprada acabava no lixo.

Os”  lixólogos” descobriram que em tempos de escassez de deteminado alimento no mercado, ele é comprado em grande quantidade e acaba estragando.

O que foi achado nas escavações

Xô lixo!

Se todo lixo produzido em Manhattan fosse espalhado pelo chão, a ilha se elevaria também 1,43 metros por século. Não há esse risco, ninguém mais guarda o lixo em casa prefere mandar para bem longe.

Notícia velha :

Não são papiros, mais sim papéis o tesouro encontrado pelos “lixólogos” atuais. Jornais com mais de 40 anos foram encontrados, em bom estado nos EUA. Mas quem que ler notícias velhas?

Desperdício:

A reciclagem é menos   realizada  do que deveria. Nos EUA, as escavações  dos arqueólogos do lixo apontaram o papel como o principal foco para eliminar a cultura do desperdício.

Guloseimas:

Os produtos mais encontrados pelos arqueólogos brasileiros no lixão de Volta Fria, em Mogi das Cruzes, são acúcares(chocolate, balas, refrigerantes), com 27% do volume total> Papel , nos Eua era o produto mais encontrado, só representou 8% do universo pesquisado em Mogi. Como a maior parte da papelada recolhida nos lixões dos EUA era composta de jornais e listas telefônicas, os números parecem refletir o maior hábito de leitura dos americanos. Ou seja , até no lixo o Brasil ainda tem o que melhorar.

Para saber mais:

Rubbish: The Archeology of Garbage

William L. Rathje e Cullen Murphy , University of Arizona, 2001.

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