Compartilhando as Letras » Cultura
27
jan
Livros que viraram filmes e ganharam Oscar- 2ª parte


Abaixo tem uma listinha dos filmes que ganharam Oscar e foram adaptados de livros, tiradas do “O Livreiro”:

“O Discurso do Rei” (“The King’s Speech”) - Baseado no romance “O Discurso do Rei – Como um Homem Salvou a Monarquia Britânica”, de Mark Logue e tem direção de Tom Hooper. Foi o vencedor dos Oscar na categoria melhor diretor, ator para Colin Firth, melhor filme e roteiro original em 2011.
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• “Quem quer ser um Milionário?” (“Who wants to be a millionaire?”) – O grande vencedor do Oscar de 2009, do diretor Danny Boyle, é baseado no romance “Sua Resposta Vale um Bilhão” (Companhia das Letras), de Vikas Swarup. Além do Oscar de Melhor Filme, o filme conquistou também a estatueta por Melhor Roteiro Adaptado.
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• “Uma Mente Brilhante” (“A Beautiful Mind”) – O filme de Ron Howard sobre a vida do matemático John Forbes Nash, interpretado por Russel Crowe, baseia-se na biografia do matemático escrita pela autora Sylvia Nassar. Ganhou o Oscar de Melhor Filme e ainda as estatuetas por Melhor Atriz Coadjuvante (Jennifer Connelly), Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado.

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• “O Pianista” (“The Pianist”) – O filme de Roman Polanski, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 2003, é baseado na autobiografia homônima escrita pelo músico polonês W?adys?aw Szpilman. Ganhou outras duas estatuetas neste ano: por Melhor Ator (Adrien Brody) e Melhor Diretor.

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• “Menina de Ouro”
(“Million Dollar Baby”) – Dirigido por Clint Eastwood, o filme levou a estatueta de Melhor Filme em 2005, assim como a de Melhor Ator Coadjuvante (Morgan Freeman), Melhor Atriz (Hillary Swank), Melhor Direção. Foi indicado à categoria Melhor Roteiro Adaptado, na qual perdeu para “Entre umas e outras”, de Alexander Payne. O roteiro de “Menina de Ouro” foi escrito por Paul Haggis a partir de contos de F.X. Tolle, pseudônimo de Jerry Boyd – que era um treinador de boxe, e publicou o livro com os contos que inspiraram Eastwood quando já tinha 70 anos. Durante 40 anos, Boyd teve suas histórias rejeitadas por diversas editoras. O autor morreu sem conhecer a glória, em 2004, um ano antes da estreia do filme. O livro “Menina de Ouro” destaca-se pela equipe de tradutores envolvidos em transpor a obra para o português, formada por pesos-pesados: Rubem Fonseca, Carlos Heitor Cony, Moacyr Scliar, Marçal Aquino, Luiz Fernando Emediato e Sérgio Dávila.

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• “Memórias de uma gueixa”
(“Memoirs of a Geisha”) – O filme, dirigido por Rob Marshall, ganhou os Oscars de Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino em 2006. É uma adaptação do best seller “Memoirs of a Geisha”, de Arthun Golden. O tema é a cultura japonesa.

26
jan
Fragmento do livro Mal Secreto


Subíamos de trem a Serra do Mar, quando o assunto entrou em nossa conversa não sei por onde. O que entrava por ali, pelas frestas, era o ar puro, quase gelado, enquanto pelo vidro passavam pedaços de um paraíso ecológico a quase 600 metros de altura. Em duas horas de lenta e prazerosa viagem, iríamos ser apresentados, ainda que de passagem, a todas as espécies da flora da Mata Atlântica. Na lembrança ficaram especialmente as bromélias. Havia de todos os tipos, em variadas gradações de verde e até coloridas. Vistas da janela, era como se tivessem sido organizadas em arranjos por algum decorador caprichoso (…)

(…)Há um ponto na terra em que o trem faz uma parada para se tirar fotografias e “ver a vista”. O antropólogo Darcy Ribeiro devia estar pensando nesse lugar- ele morreu sem que eu pudesse confirmar- quando escreveu que a beleza de Angra, observada “desde a montanha , debaixo da floresta” é infinita e incomparável: quem a viu uma vez guarda sempre no peito como seu instantemaior de percepção e êxtase da beleza do mundo.(…)

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Trecho do livro Mal secreto-inveja-de Zuenir ventura- Editora Objetiva- 1998

Esse livro faz parte do Projeto da Prefeitura: Rio.Uma cidade de Leitores, promovido pela Secretaria Municipal de Educação da cidade do Rio de Janeiro.

25
jan
Lindo para olhar e Refletir


Ver e Enxergar

“Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia a frente de sua casa, porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo. Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido.”

Rubem Alves

25
jan
Livros que viraram filmes e ganharam Oscar


Abaixo tem uma listinha dos filmes que ganharam Oscar e foram adaptados de livros, tiradas do “O Livreiro”:


• “Regras da Vida”
(“The cider house rules”) – O vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado no ano de 2000 é dirigido por Lasse Hallstrom e se baseia no romance de John Irving publicado em 1985, “The cider house blues”.

“O Velho e o Mar” (“The Old Man and the Sea”) – De Aleksandr Petrov, o filme baseado no romance “O Velho e o Mar”, de Ernest Hemingway, ganhou em 2000 o Oscar de Melhor Curta Animado. Uma mega curiosidade sobre esse filme é que Petrov pintou a óleo e fotografou cada um dos 29 mil frames em quadros de vidro.

• “Matrix” (“The Matrix”) – Vencedor de três Oscars no ano de 2000 – Melhor Edição, Melhor Som e Melhores Efeitos Visuais -, o filme “Matrix”, de Lana e Andy Wachowski, tem seu argumento inspirado no livro “Neuromancer”, de William Gibson. Publicado pela primeira vez em 1984, “Neuromancer” é uma novela cyberpunk. O livro de ficção científica apresentou novos conceitos para a época, como inteligências artificiais avançadas e um cyberespaço quase que “físico” – conceitos que aparecem em “Matrix”.

• “O Tigre e o Dragão” (“Crouching Tiger, Hidden Dragon”) – O filme de Ang Lee é uma adaptação de um livro de Du Lu Wang. Ganhou o Oscar em 2004 nas categorias Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Trilha Sonora.

• “Uma Mente Brilhante” (“A Beautiful Mind”) – O filme de Ron Howard sobre a vida do matemático John Forbes Nash, interpretado por Russel Crowe, baseia-se na biografia do matemático escrita pela autora Sylvia Nassar. Ganhou o Oscar de Melhor Filme e ainda as estatuetas por Melhor Atriz Coadjuvante (Jennifer Connelly), Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado.

• “O Senhor dos Anéis
– A Sociedade do Anel” (“Lord of the Rings – The Fellowship of the Ring”) – Novamente, a adaptação da obra de J.R.R Tolkien conquistou algumas estatuetas da Academia. DesSa vez, ganhou nas categorias Melhor Fotografia, Melhor Maquiagem, Melhor Trilha Sonora e Melhores Efeitos Visuais. Foi também indicado na categoria Melhor Roteiro Adaptado.

• “O Pianista” (“The Pianist”) – O filme de Roman Polanski, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 2003, é baseado na autobiografia homônima escrita pelo músico polonês W?adys?aw Szpilman. Ganhou outras duas estatuetas neste ano: por Melhor Ator (Adrien Brody) e Melhor Diretor.

• “O Senhor dos Anéis
– As Duas Torres” (The Lord of the Rings: The Two Towers”) – Mais uma vez, a obra de Tolkien transposta para as telonas ganhou destaque no Oscar. O filme dirigido por Peter Jackson ganhou nas categorias Melhor Edição de Som e Melhores Efeitos Visuais.

• “Senhor dos Anéis
– O Retorno do Rei” (“Lord of the Rings – The Returno f the King”) – Em 2004, o Oscar foi do Senhor dos Anéis, adaptação da obra de J.R.R.Tolkien para as telas. Dirigida por Peter Jackson, a obra ganhou na categoria Melhor Filme e ainda levou outras dez estatuetas, sendo vitoriosa em todas as categorias para a quais havia sido indicada: Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino, Melhor Direção, Melhor Edição, Maquiagem, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original, Melhor Mixagem de Som, Efeitos Visuais e Melhor Roteiro Adaptado. “O Retorno do Rei” foi publicado em 1955 e é o terceiro volume da trilogia de J.R.R. Tolkien, sendo precedido pelos volumes “A Sociedade do Anel” e“As Duas Torres”, publicados em 1954.

• “Menina de Ouro”
(“Million Dollar Baby”) – Dirigido por Clint Eastwood, o filme levou a estatueta de Melhor Filme em 2005, assim como a de Melhor Ator Coadjuvante (Morgan Freeman), Melhor Atriz (Hillary Swank), Melhor Direção. Foi indicado à categoria Melhor Roteiro Adaptado, na qual perdeu para “Entre umas e outras”, de Alexander Payne. O roteiro de “Menina de Ouro” foi escrito por Paul Haggis a partir de contos de F.X. Tolle, pseudônimo de Jerry Boyd – que era um treinador de boxe, e publicou o livro com os contos que inspiraram Eastwood quando já tinha 70 anos. Durante 40 anos, Boyd teve suas histórias rejeitadas por diversas editoras. O autor morreu sem conhecer a glória, em 2004, um ano antes da estreia do filme. O livro “Menina de Ouro” destaca-se pela equipe de tradutores envolvidos em transpor a obra para o português, formada por pesos-pesados: Rubem Fonseca, Carlos Heitor Cony, Moacyr Scliar, Marçal Aquino, Luiz Fernando Emediato e Sérgio Dávila.

• “Memórias de uma gueixa”
(“Memoirs of a Geisha”) – O filme, dirigido por Rob Marshall, ganhou os Oscars de Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino em 2006. É uma adaptação do best seller “Memoirs of a Geisha”, de Arthun Golden. O tema é a cultura japonesa.

• “O Segredo de Brokeback Mountain”
(“Brokeback Mountain”) – De Ang Lee, o filme ganhou estatuetas em 2007 por Melhor Direção, Music (Original Score) e Melhor Roteiro Adaptado. O roteiro de “Brokeback Mountain” foi escrito por Larry McMurtry e Diana Ossana a partir do conto homônimo de Annie Proulx, escritora e jornalista franco-canadense. Inicialmente, em 1997, Annie publicou o conto que daria origem ao roteiro do filme na revista The New Yorker.

• “As Crônicas de Nárnia: o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa” (“The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe”) – Baseado no livro “The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe”, de C. S. Lewis, o filme ganhou o Oscar na categoria Melhor Maquiagem em 2006. A série “As Crônicas de Nárnia” contém sete crônicas ao todo.

• “Uma Verdade Inconveniente” (“An Inconvenient Truth”) – O documentário de Al Gore sobre o aquecimento global levou em 2007 a estatueta pela categoria de Melhor Documentário. Você deve estar pensando que o filme foi feito a partir do livro de mesmo nome. Porém, a curiosidade é que é o contrário: Al Gore escreveu o livro depois de fazer o documentário.

• “Sangue Negro” (“There Will be blood”) – Dirigido por Paul Thomas Anderson, o filme “Sangue Negro”, adaptado do livro “Petróleo!”, de Upton Sinclair, conquistou em 2008 o Oscar na categoria Melhor Fotografia e foi indicado também na categoria Melhor Roteiro Adaptado. Daniel Day-Lewis ganhou a estatueta de Melhor Ator por seu papel no filme.

• “Onde os Fracos não têm vez”
(“No country for old men”) – Com este filme, os irmãos Coen ganharam o Oscar de Melhor Filme, Direção e de Melhor Roteiro Adaptado em 2008, além de outra estatueta: Melhor Ator Coadjuvante (Javier Barden). O livro em que se basearam os irmãos Joel e Ethan Coen é homônimo ao título original do filme, “No Country for Old Men”, e foi escrito pelo consagrado escritor norte-americano Cormac McCarthy.

• “O Ultimato Bourne” (“The Bourne Ultimatum”) – O filme ganhou três estatuetas em 2008: Melhor Edição, Edição de Som e Melhor Mixagem de Som. É baseado no romance de mesmo nome escrito por Robert Ludlum, e fecha uma trilogia encabeçada por “A Identidade Bourne” (2002) e seguida pelo volume “Supremacia Bourne” (2004).

• “O Curioso Caso de Benjamin Button”
(“The Curious Case of Benjamin Button”) – ganhou em três categorias: Direção de Arte, Maquiagem e Efeitos Visuais. O filme, de David Fincher e Eric Roth, é baseado num conto escrito em 1921 por F. Scott Fitzgerald.

• “Quem quer ser um Milionário?” (“Who wants to be a millionaire?”) – O grande vencedor do Oscar de 2009, do diretor Danny Boyle, é baseado no romance “Sua Resposta Vale um Bilhão” (Companhia das Letras), de Vikas Swarup. Além do Oscar de Melhor Filme, o filme conquistou também a estatueta por Melhor Roteiro Adaptado.

• “O Segredo dos Seus Olhos” (“El Secreto De Sus Ojos”) – O filme argentino ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010. É baseado no livro “La pregunta de sus ojos”, de Eduardo Sacheri.

• “Preciosa” (“Precious”) — Baseado no romance “Push”, de Sapphire, tem roteiro de Geoffrey Fletcher. Foi o vencedor do Oscar na categoria Melhor Roteiro Adaptado em 2010.

Em 2011:

• “O Discurso do Rei” (“The King’s Speech”) – Baseado no romance “O Discurso do Rei – Como um Homem Salvou a Monarquia Britânica”, de Mark Logue e tem direção de Tom Hooper. Foi o vencedor dos Oscar na categoria melhor diretor, ator para Colin Firth, melhor filme e roteiro original em 2011.

*** Esse post maravilhoso eu retirei do Poetriz com a permissão da nossa querida Flávia Camargo. Se deliciem com essa leitura.

24
jan
Vocabulário da Vida



Rio das Ostras- RJ

Amigo: É alguém que fica para ajudar quando todo mundo se afasta

Adeus: É quando o coração que parte deixa a metade com quem fica.

Amor ao próximo: É quando o estranho passa a ser o amigo que ainda não abraçamos.

Caridade: É quando a gente está com fome, só tem uma bolacha e reparte.

Carinho: É quando a gente não encontra nenhuma palavra para expressar o que sente e fala com as mãos, colocando o afago em cada dedo.

Ciúme: É quando o coração fica apertado porque não confia em si mesmo.

Cordialidade: É quando amamos muito uma pessoa e tratamos todo mundo da maneira que a tratamos.

Evangelho: É um livro que só se lê bem com o coração.


Rio das Ostras-RJ

Evolução: É quando a gente está lá na frente e sente vontade de buscar quem ficou para trás.

Filhos: É quando Deus entrega uma jóia em nossas mãos e recomenda cuidá-la.

Fé: É quando a gente diz que vai escalar um Everest e o coração já o considera feito.

Fome: É quando o estômago manda um pedido para a boca e ela silencia.

Entendimento: É quando um velhinho caminha devagar na nossa frente e a gente, estando apressado, não reclama.

Inveja: É quando a gente ainda não descobriu que pode ser mais e melhor do que o outro.

Inimizade: É quando a gente empurra a linha do afeto para bem distante.

Lealdade: É quando a gente prefere morrer que trair a quem ama.

Lágrima: É quando o coração pede aos olhos que falem por ele.

Mágoa: É um espinho que a gente coloca no coração e se esquece de retirar.

Maldade: É quando arrancamos as asas do anjo que deveríamos ser.

Perfume: É quando mesmo de olhos fechados a gente reconhece quem nos faz feliz.

Netos: É quando Deus tem pena dos avós e manda anjos para alegrá-los.

Orgulho: É quando a gente é uma formiga e quer convencer os outros de que é um elefante.

Ódio: É quando plantamos trigo o ano todo e estando os pendões maduros a gente queima tudo em um dia.

Perdão: É uma alegria que a gente dá e que pensava que jamais a teria.

Paz: É o prêmio de quem cumpre honestamente o dever.

Pessimismo: É quando a gente perde a capacidade de ver em cores.

Raiva: É quando colocamos uma muralha no caminho da paz.

Preguiça: É quando entra vírus na coragem e ela adoece.

Simplicidade: É o comportamento de quem começa a ser sábio.

Sexo: É quando a gente ama tanto que tem vontade de morar dentro do outro.

Saudade: É estando longe, sentir vontade de voar; e estando perto, querer parar o tempo.

Supérfluo: É quando a nossa sede precisa de um gole de água e a gente pede um rio inteiro.

Solidão: É quando estamos cercados por pessoas, mas o coração não vê ninguém por perto.

Ternura: É quando alguém nos olha e os olhos brilham como duas estrelas.

Sinceridade: É quando nos expressamos como se o outro estivesse do outro lado do espelho.


Rio das Ostras-RJ
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Vaidade: É quando a gente abdica da nossa essência por outra; geralmente pior.


Do Livro: O Homem que Veio da Sombra
Autor: Luiz Gonzaga Pinheiro

23
jan
só vai para a memória aquilo que e objeto do desejo.


Quando eu era menino, na escola, as professoras me ensinaram que o Brasil estava destinado a um futuro grandioso porque as suas terras estavam cheias de riquezas: ferro, ouro, diamantes, florestas e coisas semelhantes. Ensinaram errado. O que me disseram equivale a predizer que um homem será um grande pintor por ser dono de uma loja de tintas. Mas o que faz um quadro não é a tinta:

são as idéias que moram na cabeça do pintor. São as idéias dançantes na cabeça que fazem as tintas dançar sobre a tela.

Por isso, sendo um país tão rico, somos um povo tão pobre. Somos pobres em idéias. Não sabemos pensar. Nisto nos parecemos com os dinossauros, que tinham excesso de massa muscular e cérebros de galinha. Hoje, nas relações de troca entre os países, o bem mais caro, o bem mais cuidadosamente guardado, o bem que não se vende, são as idéias. É com as idéias que o mundo é feito. Prova disso são os tigres asiáticos, Japão, Coréia, Formosa que, pobres de recursos naturais, se enriqueceram por ter se especializado na arte de pensar.
Minha filha me fez uma pergunta:

“O que é pensar?”

Disse-me que ‘esta era uma pergunta que o professor de filosofia havia proposto à classe. Pelo que lhe dou os parabéns. Primeiro por ter ido diretamente à questão essencial. Segundo, por ter tido a sabedoria de fazer a pergunta, sem dar a resposta. Porque, se tivesse dado a resposta, teria com ela cortado as asas do pensamento. O pensamento é como a águia que só alça vôo nos espaços vazios do desconhecido. Pensar é voar sobre o que não se sabe. Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas. Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.
E, no entanto, não podemos viver sem as respostas. As asas, para o impulso inicial do vôo, dependem de pés apoiados na terra firme. Os pássaros, antes de saber voar, aprendem a se apoiar sobre os seus pés. Também as crianças, antes de aprender a voar, têm que aprender a caminhar sobre a terra firme.
Terra firme: as milhares de perguntas para as quais as gerações passadas já descobriram as respostas. O primeiro momento da educação é a transmissão deste saber.
Nas palavras de Roland Barthes: “Há um momento em que se ensina o que se sabe…” E o curioso é que este aprendizado é justamente para nos poupar da necessidade de pensar.
As gerações mais velhas ensinam às mais novas as receitas que funcionam. Sei amarrar os meus sapatos automaticamente, sei dar o nó na minha gravata automaticamente:
as mãos fazem o seu trabalho com destreza enquanto as idéias andam por outros lugares.
Aquilo que um dia eu não sabia me foi ensinado; eu aprendi com o corpo e esqueci com a cabeça. E a condição para que minhas mãos saibam bem é que a cabeça não pense sobre o que elas estão fazendo. Um pianista que, na hora da execução, pensa sobre os caminhos que seus dedos deverão seguir, tropeçará fatalmente. Há a estória de uma centopéia que andava feliz pelo jardim, quando foi interpelada por um grilo: “Dona Centopéia, sempre tive curiosidade sobre uma coisa: quando a senhora anda, qual, dentre as suas cem pernas, é aquela que a senhora movimenta primeiro?” “Curioso”, ela respondeu. “Sempre andei, mas nunca me propus esta questão. Da próxima vez, prestarei atenção.” Termina a estória dizendo que a centopéia nunca mais conseguiu andar.
Todo mundo fala, e fala bem.
Ninguém sabe como a linguagem foi ensinada e nem como ela foi aprendida. A despeito disto, o ensino foi tão eficiente que não preciso pensar para falar. Ao falar não sei se estou usando um substantivo, um verbo ou um adjetivo, e nem me lembro das regras da gramática. Quem, para falar, tem de se lembrar destas coisas, não sabe falar. Há um nível de aprendizado em que o pensamento é um estorvo. Só se sabe bem com o corpo aquilo que a cabeça esqueceu. E assim escrevemos, lemos, andamos de bicicleta, nadamos, pregamos pregos, guiamos carros: sem saber com a cabeça, porque o corpo sabe melhor. É um conhecimento que se tornou parte inconsciente de mim mesmo. E isso me poupa do trabalho de pensar o já sabido. Ensinar aqui, é inconscientizar.
O sabido é o não-pensado, que fica guardado, pronto para ser usado como receita, na memória desse computador que se chama cérebro. Basta apertar a tecla adequada para que a receita apareça no vídeo da consciência. Aperto a tecla moqueca. A receita aparece no meu vídeo cerebral: panela de barro, azeite, peixe, tomate, cebola, coentro, cheiro verde, urucum, sal, pimenta, seguidos de uma se série de instruções sobre o que fazer.
Não é coisa que eu tenha inventado. Me foi ensinado. Não precisei pensar. Gostei. Foi para a memória.

Esta é a regra fundamental desse computador que vive no corpo humano: só vai para a memória aquilo que e objeto do desejo.

A tarefa primordial do professor: seduzir o aluno para que ele deseje e, desejando, aprenda.

Rubem Alves

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