Compartilhando as Letras » Literatura
2
fev
Poetando na noite


Meu amor independe do que me fazes.
Não cresce do que me dás.
Se fosse assim ele flutuaria ao sabor dos teus gestos.
Teria razões e explicações.
Se um dia teus gestos de amante me faltassem,
ele morreria como a flor arrancada da Terra. Rubem Alves

Ao final de nossas longas andanças, chegamos finalmente ao lugar.E o vemos então pela primeira vez. Para isso caminhamos a vida inteira: para chegar ao lugar de onde partimos.E, quando chegamos, é surpresa.È como se nunca o tivéssemos visto. Agora, ao final de nossas andanças, nossos olhos são outros, olhos de velhice, de saudade.


Rubem Alves




Eu quero desaprender para aprender de novo.
Raspar as tintas com que me pintaram.
Desencaixotar emoções, recuperar meus sentidos.”


Rubem Alves

Ao fotografar em p&b o fotógrafo precisa de muito mais técnica para passar a mensagem, já que não conta com a ajuda das cores. Eis aqui uma belíssima galeria de imagens em Preto e Branco.

Para ver mais, acesse matéria completa no Smashing Magazine.

27
jan
Entendimento Perfeito


Entendimento Perfeito

Sentaram-se no banco e se calaram, tentando entender o silêncio. As palavras tinham um sentido além delas mesmas. O silêncio seria, sempre, o único meio de entendimento perfeito.

Fernando Sabino in “0 Encontro Marcado”

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Fonte da Imagem: Curiosando fotos divertidas

25
jan
Lindo para olhar e Refletir


Ver e Enxergar

“Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia a frente de sua casa, porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo. Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido.”

Rubem Alves

23
jan
só vai para a memória aquilo que e objeto do desejo.


Quando eu era menino, na escola, as professoras me ensinaram que o Brasil estava destinado a um futuro grandioso porque as suas terras estavam cheias de riquezas: ferro, ouro, diamantes, florestas e coisas semelhantes. Ensinaram errado. O que me disseram equivale a predizer que um homem será um grande pintor por ser dono de uma loja de tintas. Mas o que faz um quadro não é a tinta:

são as idéias que moram na cabeça do pintor. São as idéias dançantes na cabeça que fazem as tintas dançar sobre a tela.

Por isso, sendo um país tão rico, somos um povo tão pobre. Somos pobres em idéias. Não sabemos pensar. Nisto nos parecemos com os dinossauros, que tinham excesso de massa muscular e cérebros de galinha. Hoje, nas relações de troca entre os países, o bem mais caro, o bem mais cuidadosamente guardado, o bem que não se vende, são as idéias. É com as idéias que o mundo é feito. Prova disso são os tigres asiáticos, Japão, Coréia, Formosa que, pobres de recursos naturais, se enriqueceram por ter se especializado na arte de pensar.
Minha filha me fez uma pergunta:

“O que é pensar?”

Disse-me que ‘esta era uma pergunta que o professor de filosofia havia proposto à classe. Pelo que lhe dou os parabéns. Primeiro por ter ido diretamente à questão essencial. Segundo, por ter tido a sabedoria de fazer a pergunta, sem dar a resposta. Porque, se tivesse dado a resposta, teria com ela cortado as asas do pensamento. O pensamento é como a águia que só alça vôo nos espaços vazios do desconhecido. Pensar é voar sobre o que não se sabe. Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas. Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.
E, no entanto, não podemos viver sem as respostas. As asas, para o impulso inicial do vôo, dependem de pés apoiados na terra firme. Os pássaros, antes de saber voar, aprendem a se apoiar sobre os seus pés. Também as crianças, antes de aprender a voar, têm que aprender a caminhar sobre a terra firme.
Terra firme: as milhares de perguntas para as quais as gerações passadas já descobriram as respostas. O primeiro momento da educação é a transmissão deste saber.
Nas palavras de Roland Barthes: “Há um momento em que se ensina o que se sabe…” E o curioso é que este aprendizado é justamente para nos poupar da necessidade de pensar.
As gerações mais velhas ensinam às mais novas as receitas que funcionam. Sei amarrar os meus sapatos automaticamente, sei dar o nó na minha gravata automaticamente:
as mãos fazem o seu trabalho com destreza enquanto as idéias andam por outros lugares.
Aquilo que um dia eu não sabia me foi ensinado; eu aprendi com o corpo e esqueci com a cabeça. E a condição para que minhas mãos saibam bem é que a cabeça não pense sobre o que elas estão fazendo. Um pianista que, na hora da execução, pensa sobre os caminhos que seus dedos deverão seguir, tropeçará fatalmente. Há a estória de uma centopéia que andava feliz pelo jardim, quando foi interpelada por um grilo: “Dona Centopéia, sempre tive curiosidade sobre uma coisa: quando a senhora anda, qual, dentre as suas cem pernas, é aquela que a senhora movimenta primeiro?” “Curioso”, ela respondeu. “Sempre andei, mas nunca me propus esta questão. Da próxima vez, prestarei atenção.” Termina a estória dizendo que a centopéia nunca mais conseguiu andar.
Todo mundo fala, e fala bem.
Ninguém sabe como a linguagem foi ensinada e nem como ela foi aprendida. A despeito disto, o ensino foi tão eficiente que não preciso pensar para falar. Ao falar não sei se estou usando um substantivo, um verbo ou um adjetivo, e nem me lembro das regras da gramática. Quem, para falar, tem de se lembrar destas coisas, não sabe falar. Há um nível de aprendizado em que o pensamento é um estorvo. Só se sabe bem com o corpo aquilo que a cabeça esqueceu. E assim escrevemos, lemos, andamos de bicicleta, nadamos, pregamos pregos, guiamos carros: sem saber com a cabeça, porque o corpo sabe melhor. É um conhecimento que se tornou parte inconsciente de mim mesmo. E isso me poupa do trabalho de pensar o já sabido. Ensinar aqui, é inconscientizar.
O sabido é o não-pensado, que fica guardado, pronto para ser usado como receita, na memória desse computador que se chama cérebro. Basta apertar a tecla adequada para que a receita apareça no vídeo da consciência. Aperto a tecla moqueca. A receita aparece no meu vídeo cerebral: panela de barro, azeite, peixe, tomate, cebola, coentro, cheiro verde, urucum, sal, pimenta, seguidos de uma se série de instruções sobre o que fazer.
Não é coisa que eu tenha inventado. Me foi ensinado. Não precisei pensar. Gostei. Foi para a memória.

Esta é a regra fundamental desse computador que vive no corpo humano: só vai para a memória aquilo que e objeto do desejo.

A tarefa primordial do professor: seduzir o aluno para que ele deseje e, desejando, aprenda.

Rubem Alves

15
jan
Fragmentos poéticos


Essas maravilhas que compartilho aqui para vocês, achei lá no delicioso POETRIZ da Flávia. Leiam, releiam e, se encantem com esses fragmentos separados com esmero e carinho. As imagens colocadas aqui, foi da nossa estadia em Rio das Ostras, que adorei pois deu para descansar bastante. Nada como uma semana na praia para nos deixar novinhos em folha!!!

Livros também deixam de existir
Não são apenas animais e plantas que deixam de existir, livros também. Infelizmente não é raro que isso aconteça. Acho que seria possível encher uma centena de casas como esta com os livros que desapareceram para sempre.

Cornelia Funke in “Coração de Tinta”

Como abacaxis

Existem pessoas que não se entregam à paixão, sua apatia as leva a escolher uma vida de rotina, onde vegetam como “abacaxis numa estufa d’ananases”, como dizia meu pai. Quanto a mim, o que me mantém vivo é o risco iminente da paixão e seus coadjuvantes, amor, ódio, gozo, misericórdia.

Rubem Fonseca in “O Cobrador”

Para cada ato

Por cada ato de horror encontrávamos uma quantidade infinita de atos de amor.

Inês Pedrosa in “Fazes-me Falta”

Quem ama de verdade
Antes de se deitar, ia despedir-se da filha e dizia-lhe que a amava mais do que qualquer outra coisa no mundo, que era a coisa mais importante do universo para ela. Jacinta nunca disse a Penélope que a amava. A aia sabia que quem ama de verdade ama em silêncio, com atos e nunca com palavras

Carlos Ruiz Zafón in “A Sombra do Vento”

15
dez
Escrever é um ato de amor


Alvorada

Quando você se sentir sozinho, pegue o seu lápis e escreva. No degrau de uma escada, à beira de uma janela, no chão do seu quarto. Escreva no ar, com o dedo na água, na parede que separa o olhar vazio do outro. Recolha a lágrima a tempo, antes que ela atravesse o sorriso e vá pingar pelo queixo. E quando a ponta dos dedos estiverem úmidas, pegue as palavras que lhe fizeram companhia e comece a lavar o escuro da noite, tanto, tanto, tanto… até que amanheça.
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Rita Apoena

Será que é por isso que escrevemos nos diários, nas agendas e principalmente nos Blogs??? Nos Blogs colocamos tudo o que gostaríamos de falar, de transmitir e de compartilhar. Realmente escrever nos liberta dos pesares, das mágoas,das tristezas. Escrevendo vamos colocando para fora tudo o que nos aflige e , vamos ficando leves, leves que, quase flutuamos. Escrever é muito bom!!

  • Você gosta de escrever?
  • Escrever alivia a sua alma?
  • Escrevendo você rasga de dentro de si, tudo o que lhe dá angústia?
  • Você escreve por prazer?
  • Quando escreve desabafa?
  • O ato de escrever é um ato de amor.Você vê assim?

Beijinhos e escrevam sempre, pois sempre haverá alguém que se delicia com seus escritos. Sucesso!

Fonte:

** Essas fotos são fotos de longa exposição:

Long Exposure Photography é uma técnica, na qual o obturador da câmera é deixado aberto durante um longo periodo de tempo (8 segundos ou horas).

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