4
maio
2009
Maravilhas de Mário Quintana


…Não é que esteja bancando o modesto. Eu já disse uma vez que a modéstia é a vaidade escondida atrás da porta… Eu não sou modesto, sou isento de tudo. Se alguém me julga “genial”, eu penso: está exagerando. Se alguém não me aceita, me escracha, eu acho que é burro. Fico sereno comigo. Isso me faz lembrar os versos de Cecília Meireles, que para mim é a maior poeta brasileira desta metade do século: .
Eu canto porque o momento existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
Sou poeta

..

.
Do livro de Giovanni Ricciardi: Auto-retratos


.
“Mas, afinal, para que interpretar um poema? Um poema já é uma interpretação.”
.
Mario Quintana


Um dia veio uma peste e acabou com
toda vida na face da Terra:
em compensação ficaram as bibliotecas…
E nelas estava meticulosamente escrito
o nome de todas as coisas!

Mario Quintana

Crédito das  Imagens: Google







3
maio
2009
Otimismo ou Esperança?


Procuro lutar pelos meus sonhos e alvos pretendidos. No início do ano fiz um post, dizendo todos os alvos para esse ano. Alguns,  eu estou conseguindo, outros estão em andamento. Eu já comecei as aulas de teclado, que era um sonho meu, mas não tinha horário por causa do trabalho e atividades da casa. Outro objetivo, era parar de roer as unhas, sempre que me sentia angustiada, correndo contra o tempo, eu roía as unhas de sangrar, de ficar no sabugo. Coloquei na minha cabeça que iria parar com isso. Além de feio, prejudica a saúde. Hoje fiz minhas unhinhas e elas estão lindas!!!

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Cresceram, e,  eu estou muito orgulhosa!!! Uma coisinha simples,bobeira para alguns, mas que me deixou muito feliz. Eu ficava com vergonha das minhas unhas roídas,mas não conseguia parar de roer.   Escolhi esse texto de Rubem Alves que fala sobre otimismo, esperança e a força que vem de dentro, essa força que nos impulsiona para fazermos as coisas, para tentarmos sempre e cada vez mais. Devemos ter sempre esperança, para  que com nossas  atitudes , amizade, perseverança e amor, possamos mudar esse mundo tão caótico.


“Hoje não há razões para otimismo. Hoje só é possível ter esperança. Esperança é o oposto do otimismo. “Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro. Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração.” Camus sabia o que era esperança. Suas palavras: “E no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível…” Otimismo é alegria “por causa de”: coisa humana, natural. Esperança é alegria “a despeito de”: coisa divina. O otimismo tem suas raízes no tempo. A esperança tem suas raízes na eternidade. O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre. A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo. Hoje, é tudo o que temos ao nos aproximarmos do século XXI: morangos à beira do abismo, alegria sem razões. A possibilidade da esperança …”

Rubem Alves


(Concerto para corpo e alma . Editora Papirus , p.159-160)






3
maio
2009
Maio de Poesias


...

Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura.
Esses, sim, são os bons.
Eu só escrevo para fazer afagos.
E porque eu tinha de encontrar um jeito de alongar os braços.
E estreitar distâncias.
Encontrar os pássaros: há muitas distâncias em mim (e uma enorme timidez).
Uns escrevem grandes obras.
Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas.”
.
Rita Apoena

.

Amo-te como a planta que não floriu e tem
dentro de si, escondida, a luz das flores,
e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo
o denso aroma que subiu da terra.

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,
amo-te diretamente sem problemas nem orgulho:
amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,

a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,
tão perto que a tua mão no meu peito é minha,
tão perto que os teus olhos se fecham com meu sono.

Pablo Neruda

.

Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam:
-Que é que você quer ser quando crescer?
Hoje não perguntam mais.
Se perguntassem, eu diria que quero ser menino.
.
Fernando Sabino

Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.
.
Carlos Drummond de Andrade







1
maio
2009
” Eu vou mostrar pra vocês como se dança o baião…”


O baião, um dança já bem conhecida no interior nordestino desde   o século xlx, chegou aos centros urbanos graças à dupla Luiz Gonzaga e  Humberto Teixeira. Em 1946 foi gravada a composição Baião pelo grupo Quatros Ases e um Curinga: ” Eu vou mostrar pra vocês /como se dança o baião/E quem quiser aprender/É só prestar atenção.” Em seguida vieram outros sucessos de Gonzagão. Virou uma “coqueluche”, como se dizia na época.

Em 1949 o Diário Carioca afirmava que ” o baião vem fazendo estremecer todo o vasto império do samba, e já agora não se poderá mais negar  a influência decisiva desse gênero musical na predileção do povo.”

Marlene, Emilinha Borba, Ivon Curi, Carmem Miranda e Jamelão foram alguns dos artistas  que começaram a gravá-lo. Formou-se uma corte na época: a cantora Carmélia Alves foi aclamada a ” Rainha do Baião”, e Gonzaga, o ” Rei “. A partir de 1950, tornou-se um ritmo internacional, com Delicado, de Valdir Azevedo.

Gilberto Gil participou do Festival de Música da Record em 1967 com Domingo no Parque, de inspiração ritmica do baião. A canção, ao lado de Alegria, alegria, de Caetano Veloso, foi precursora do Movimento Tropicalista.

É a hora do adeus de Luiz rei do baião…”    

Em 1987, Gonzagão começou a sofrer com o câncer na próstata. Internado no Recife, morreu no dia 2 de agosto de 1989. O povo saiu às ruas para dar o seu adeus, até chegar à Exu, onde o corpo do artista foi enterrado ao som de sanfoneiros amigos, como Dominguinhos, Foi com Asa-branca, entoada por 20 mil vozes, que o músico alçou seu voo para o eterno. Luiz Gonzaga do nascimento lançou mais de 50 discos, além de álbuns em que fez duetos com intérpretes como o filho Gonzaguinha e Fagner.

** Asa-branca, pomba migratória , encontrada no Nordeste e outras regiões do Brasil, cujas asas ostentam uma faixa branca visível em voo.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da música popular brasileira.

Revista Nós da Escola /2006

Sites:

www.luizgonzaga.com.br

Endereço do Instituto Cultural Cravo Albin:

Avenida São Sebastião, 2 – Cobertura- Urca

Livro sobre o sanfoneiro:

O melhor  de Luiz Gonzaga, de Roberto M.Moura. Editora Irmãos Vitale. Na obra estão a vida artística de Gonzagão e 31 letras de sucesso.

Imagens: Google







1
maio
2009
” Nunca vi forró tão bom…”


Em 2009 vai fazer 97 anos que nasceu o cantor , compositor e sanfoneiro Luiz Gonzaga. Ele morreu em 1989, mas parafraseando o que o poeta Carlos Drummond de Andrade certa vez  escreveu sobre Mozart, ele continua vivo porque sua música não morreu. Mais ainda : colocou o ritmo nordestino no mapa-múndi e contribuiu para ao Sul Maravilha incorporar definitivamente a música do sertão.

Quando se estabeleceu no Rio de Janeiro e comprou uma sanfona, resolveu ir aonde  o povo estava: nas ruas, bares e praças. Interpretando ritmos regionais como o baião, o coco e o xaxado, o jovem Lua tentou a sorte no rádio, apresentando-se no programa de calouros de Ari Barroso com a composição  Vira e mexe. Recebeu nota máxima. Percebendo cada vez mais   a importância de firmar o traço nordestino, incorporou a idumentária que marcaria sua imagem: uma roupa de sertanejo que inclui o indefectível chapéu de couro.

Até meados de 1950, o baião era sucesso nacional e internacional. Em 1967 Gonzaga gravou o LP   Óia eu aqui de novo, considerado um dos marcos de sua carreira.

Em 1970  Gonzaga gravou o long play Sertão 70, que traz, entre outras composições, já vou mãe, primeira parceria do sanfoneiro Dominguinhos( visto por alguns como seu sucessor)  e Anastácia.

” Até mesmo a asa-branca bateu asas do sertão…”

Não há como citar    Luiz Gonzaga e não lembrar de Asa -branca, seu maior sucesso composto em parceria com HUmberto Teixeira, gravado em 1947, e que ganhou depois de muitas regravações. Cravo Albim reforça a importância da dupla de compositores: ” Nunca devemos nos esquecer de Humberto Teixeira, principal parceiro de Luiz Gonzaga. Ele fez letras e boa parte da estrutura musical, inclusive Asa-branca, eleita em 1999 pela Academia Brasileira de Letras como a segunda das 14      músicas mais marcantes do Brasil no século 20( a primeira foi Aquarela do Brasil, de Ari Barroso).

” Tá danado de bom, meu cumpadre…”

Desde 2003 , a feira de São Cristóvao funciona dentro do Pavilhão do bairro de mesmo nome. O local,  batizado de Centro Luiz Gonzaga de  Tradições Nordestinas , é justamente  lembrança ao homem que virou sinônimo de cultura do Nordeste. No Pavilhão a música típica não pára. Na entrada uma estátua do Gonzagão dá as boas -vindas ao s turistas e renova o orgulho do povo nordestino. E não é raro alguém dançar ao som de sucessos como: Cintura fina, O Xote das meninas, Paraíba, Assum preto e Qui nem jiló.

Fonte: Nós da Escola /2006.

Crédito das fotos: Google

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