14
dez
2012
Sobre o escrever …


Escrever, para mim, é uma grande brincadeira. É o prazer que me conduz pelas palavras! Lembro de um amigo que escreve bons poemas mas, quando eu elogio ele diz: “escrever é coisa séria. Isso aqui é brincadeira.” Discordo frontalmente do meu amigo. Escrever é uma brincadeira honesta com as palavras mas, uma brincadeira, “uma aventura planejada” (como diz Pignatari). O que o meu amigo entende por sério é, exatamente, o ranço acadêmico do saber absoluto. E o saber é um mundo muito vasto para estar encerrado em um conceito ou receituários dogmáticos. Escrever é não temer o abismo da próxima vírgula. Escrever poemas é escrever vírgulas, pausas na vida do Império Prosa.
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Lau Siqueira

ESCALA
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.Às vezes, quando estou de um jeito
que nem mais a tristeza incomoda
penso que minh’alma é uma escada.
.
.Então vou subindo, palavra por
palavra…Separando as sílabas
conforme a capacidade de
armazenagem dos meus bolsos. Até
que a poesia acena para mim de
alguma janela
.
.E depois some como o vôo que fica na memória
tamanha a beleza do pássaro.
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Lau Siqueira
(do livro Texto Sentido)







13
dez
2012
Nunca estamos satisfeitos


Satisfeitos? É exatamente o que não somos. Nunca estamos satisfeitos…

Tiramos férias da vida…

Satisfazemo-nos com sol, diversão e boa comida.

Mas antes mesmo de voltarmos para casa, receamos o fim

da viagem e começamos a planejar outra.

Não estamos satisfeitos.

Quando somos crianças, dizemos:

” Se apenas eu fosse um adolescente.”


Na adolescência falamos:

” Se apenas eu fosse adulto.” Ao nos tornarmos adultos, ” Se apenas eu fosse casado.” Quando nos casamos, ” Se apenas eu tivesse filhos.”

Não estamos satisfeitos. Contentamento é uma virtude difícil de ser conquistada. Por quê? Porque não há nada na terra capaz de satisfazer nossos anseios mais profundos. Ansiamos ver a Deus. As folhas da vida estão sussurrando que isso acontecerá- e não ficaremos satisfeitos até que aconteça.

Do livro: Quando Deus Sussurra seu Nome

Max Lucado







2
dez
2012
Sobre as cartas de amor


– Acho comovente. Tem uma tela do pintor Vermeer que é uma mulher lendo uma carta. É um quadro que tenho no meu quarto. A carta só tem sentido quando os dois estão separados. A carta é um sinal de solidão. A gente escreve não para dar informação. As informações não têm a menor importância, porque elas não fazem parte da essência da carta de amor. O que faz uma carta de amor é o fato de que um tocou aquela folha e o outro vai tocar a mesma folha de papel. Assim, você toca a carta, mas o outro não está lá. É por isso que a carta de amor tem essa beleza triste.” Rubem Alves







30
nov
2012
Um show de escritores



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“A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa.
– Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma.
Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos,
os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!”
O Pequeno Príncipe

Hoje em dia, as pessoas andam tão atribuladas com a correria da vida que, esquecem do valor da amizade. As vezes, um simples ,oi,tudo bem??? Não informa tudo o que aquela pessoa está passando. Sei que é complicado, nesses dias de correria,mas, existe muita gente que precisa apenas de uma palavra amiga,de um conselho,de ser ouvida. Só isso!!!
Lá na Escola, tem um menino que nos abraça todos os dia, às vezes ele não diz nada,só abraça. As pessoas andam carentes de afeto,carinho,amizade, fico observando as pessoas,umas tão tagarelas, falam tudo. Outras tão fechadas, amarguradas,se escondem,sofrem caladas. Pensando nisso tudo ,ponho aqui para vocês, um show de poetas escritores.Se deliciem:
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Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
Se é para uma prosa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis .
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. Deixe-te de histórias
Some-te daqui!
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. Vinicius de Moraes

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Sou mutante. Não anseio a majestades cristalizadas em palavras que não voltam atrás. Eu volto palavras, gestos e sentimentos. Mudam tempos, momentos, situações, mundo… Por que não mudo eu? Livrai-me do engessamento burro da prepotência! Peço desculpas e me sinto aliviada. Se o outro vai desculpar ou não depende do grau de irredutibilidade dele. Aí já não é comigo. Repensar é consertar.

“Eu não sou sempre da minha opinião.” Considero a sua e, se for o caso, reconsidero a minha.” (Paul Valéry)

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Estive hoje no local da total distância, no tempo da absoluta indiferença. São estas as viagens que qualquer pode fazer, não saindo de casa, encerrado no confinado de um quarto, encerrado no interior de si. Há quem o faça pela madrugada, enquanto a cidade dorme, ou domingo à tarde, que é quando a tristeza dói mais, por parecer única. Estive hoje suspenso a rever-te, antiga fotografia de uma viagem que eu não fiz a um destino onde nunca estarei. Há momentos assim: ferem-nos a retina, arquivam-se no cérebro, ficam, como as gravuras dos velhos livros de um parente morto, amarelecidos e para sempre esquecidos, no alto de uma estante, na prateleira do nunca mais.
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José António Barreiros

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Houve o tempo do sonho. No escuro das noites, todos sonharam palavras.Houve o tempo do acordar. Na luz das manhãs, todos acordaram palavras.Depois veio a coragem de presentear. Em cartas lacradas viajaram secretas palavras”.
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Bartolomeu Campos de Queirós







23
nov
2012
Poetando na sexta maravilha!!!
Categorias: Literatura


(Tela de William Bouguereau)

Humildade – Cecília Meireles

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Tanto que fazer!
livros que não se lêem, cartas que não se escrevem,
línguas que não se aprendem,
amor que não se dá,
tudo quanto se esquece.
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Amigos entre adeuses,
crianças chorando na tempestade,
cidadãos assinando papéis, papéis, papéis…
até o fim do mundo assinando papéis.
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E os pássaros detrás de grades de chuva.
E os mortos em redoma de cânfora.
(E uma canção tão bela!)
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Tanto que fazer!
E fizemos apenas isto.
E nunca soubemos quem éramos,
nem para quê.

(Tela de Carl Larsson)

Frases selecionadas de José Saramago:
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“Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros, e que para a maioria, é só um dia mais”
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“Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia”.
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“Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem idéias, não vamos a parte nenhuma”.

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“Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.”
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(Fernando Pessoa)

. ” Versos curam tudo” . (Machado de Assis)

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar: um estribilho antigo, um carinho no momento preciso, o folhear de um livro de poemas, o cheiro que tinha um dia o próprio vento” (Mário Quintana)

Como os poetas que já cantaram, e que já ninguém mais escuta, eu sou também a sombra vaga de alguma interminável música. Pára em meu coração deserto! Deixa que te ame, ó alheia, ó esquiva… Sobre a torrente do universo, nas pontes frágeis da poesia.” (Cecília Meireles).

A poesia não é uma expressão do ser do poeta. É uma expressão do não-ser do poeta. O que escrevo não é o que tenho; é o que me falta. Escrevo porque tenho sede e não tenho água. Sou pote. A poesia é água”. (Rubem Alves)

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