14
nov
2012
Sobre as palavras…
Categorias: Literatura, Poesia, Reflexão


As palavras são colinas e vales por onde você viaja, tão encantadoras que, às vezes, o fazem chorar.
Deb Caletti in “Um Lugar para Ficar”







14
nov
2012
Tá na Bíblia: dica para progredir na vida



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“Quem é generoso progride na vida, quem ajuda será ajudado.”

(Provérbios 11.25)







13
nov
2012
Fala Cecília Meirelles!!!


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A natureza da saudade é ambígua: associa sentimentos de solidão e tristeza – mas, iluminada pela memória, ganha contorno e expressão de felicidade. Quando Garrett a definiu como “delicioso pungir de acerbo espinho”, estava realizando a fusão desses dois aspectos opostos na fórmula feliz de um verso romântico.Em geral, vê-se na saudade o sentimento de separação e distância daquilo que se ama e não se tem. Mas todos os instantes da nossa vida não vão sendo perda, separação e distância? O nosso presente, logo que alcança o futuro, já o transforma em passado. A vida é constante perder. A vida é, pois, uma constante saudade.Há uma saudade queixosa: a que desejaria reter, fixar, possuir. Há uma saudade sábia, que deixa as coisas passarem , como se não passassem. Livrando-as do tempo, salvando a sua essência da eternidade. É a única maneira, aliás, de lhes dar permanência: imortalizá-las em amor . O verdadeiro amor é, paradoxalmente, uma saudade constante, sem egoísmo nenhum.
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Cecília Meireles

(…)
Hoje eu queria estar entre as nuvens, na velocidade das nuvens, na sua fragilidade, na sua docilidade de ser e deixar de ser. Livremente. Sem interesse próprio. Confiantes. A mercê da vida. Sem nenhum sonho de durarem um pouco mais, de ficarem no céu até o ano 2000, de terem emprego público, férias, abono de Natal, montepio, prêmio de loteria, discurso à beira do túmulo, nome em placa de rua, busto no jardim… (Ó nuvens prodigiosas, criaturas efêmeras que estais tão alto e não pretendeis nada, e sois capazes de obscurecer o sol e de fazer frutificar a terra, e não tendes vaidade nenhuma nem apego a esses acasos!) Hoje eu queria andar lá em cima nas nuvens, com as nuvens, pelas nuvens, para as nuvens…
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Cecília Meireles
( JANELA MÁGICA. Editora Moderna, São Paulo, 2006, p. 16-17 )







12
nov
2012
A hora e a vez da poesia


Aqueles que passam por nós,
não vão sós, não nos deixam sós.
Deixam um pouco de si,
levam um pouco de nós.
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Antoine de Saint-Exupéry

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AGORA É A HORA…
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Ah! se eu pudesse impregnar meu canto
Só de ternura, em rimas convertida,
Unia em sons à tua a minha vida,
De tua graça faria o meu encanto;
Ah! se a canção lograsse tornar brando
Meu coração, rebelde e empedernido,
Qual barco, conturbado e sacudido,
Ao porto da alegria ia aportando.
Na comunhão fraterna do poema
Tornara um só o universal desejo
E amar seria a força de meu lema.
Ah! puro som, harmonizada aurora,
Horizonte de luz, só para o beijo,
Converte-se em alegria agora, agora…
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Antonio Lázaro de Almeida Prado.

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não tenho cadernos

tudo o que eu escrevo,

escrevo nas paredes do meu quarto.

Se é para estar presa,

que seja entre quatro poemas..

Rita Apoena

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Bilhetes

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Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura. Esses, sim, são os bons. Eu só escrevo para fazer afagos. E porque eu tinha de encontrar um jeito de alongar os braços. E estreitar distâncias. E encontrar os pássaros: há muitas distâncias em mim (e uma enorme timidez). Uns escrevem grandes obras. Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas.

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Rita Apoena

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Relógio
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Diante de coisa tão doída
conservemo-nos serenos.
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Cada minuto de vida
nunca é mais, é sempre menos.
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Ser é apenas uma face
do não-ser, e não do ser.
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Desde o instante em que se nasce
já se começa a morrer.
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Cassiano Ricardo

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ORIENTAÇÃO
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Quando escreveres minha história…
Não te detenhas nos ditos, pleonasmos e vocativos.
Leias-me as ausências, silêncios
– verbos indevidos.
As pausas pau-sa-da-mente repetidas
preenchendo lacunas do não-vivido.
E as coisas ver-da-dei-ra-mente fingidas que,
ja-mais, ousaria dizer!…
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Hercília Fernandes







11
nov
2012
Sobre a leitura…



Francine Van Hove

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” Talvez não haja na nossa infância dias que tenhamos vivido tão
plenamente como aqueles que pensamos ter deixado passar sem
vivê-los, aqueles que passamos na companhia de um livro preferido.”
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Marcel Proust

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Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura.
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Leonordo Boff

[…]
Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê e a criança escuta com prazer. “Erotizada” – sim, erotizada! – pelas delícias da leitura ouvida, a criança se volta para aqueles sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los, compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da pessoa que o está lendo. […]
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Rubem Alves
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