14
out
2008
Alívio para o estresse do Professor


 

O trabalho deve ser uma fonte de alegrias e realização, mas pode causar enfermidades e sofrimentos. Uma pesquisa feita em 2007 com 500 professores de escolas públicas das capitais, revelou que mais da metade dos professores sofre de estresse. Entre as queixas freqüentes, estão dores musculares, citados por 40% deles. Preocupa muito que 40%   declara sofrer de alguma doença ou mal-estar. Esse” mal-estar docente”, ganhou definição do pesquisador espanhol José Manuel Esteves: “Algo que sabemos que não vai bem, mas não somos capazes de definir o que não funciona e por quê.” Nos casos mais sérios os profissionais, acabam se afastando da sala de aula. No estado de São Paulo- a maior rede do país, com 250 mil professores, são registradas 30 mil faltas por dia. Só em 2006 foram quase 140 mil licenças médicas, com duração de 33 dias.  Esse problema se repete por todo o país e faz com que as doenças de quem leciona tornem enfermo o Sistema de Ensino. ” Em todas  as redes o absenteísmo preocupa porque os prejuízos para o aprendizado são muito grandes, ” diz Cleuza Repulho, Consultora de Educação Básica do MEC. Esse tema vem despertando a atenção de pesquisadores. Tufi Machado Soares, da Universidade Federal de Juiz de Fora, estudou o impacto das faltas na rede mineira e constatou que os alunos da 4ª série que tinham mestres assíduos alcançaram média 15 pontos maior que os demais em Língua Portuguesa no Programa de Avaliação da Educação Básica em 2002. “Todo mundo perde com o afastamento . Mas é importante que o direito de ter condições de estudar acompanhe o direito de ter condições de oferecer uma boa aula,” defende Roberto Franklin, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação.  Soluções para essa epidemia têm sido discutida e colocadas em prática em diferentes níveis: Secretarias criam programas  de prevenção, Escolas reorganizam processos e Educadores buscam formas criativas de enfrentar as dificuldades do dia-a dia . Todas elas , além de contribuir para o bem-estar e o desempenho do profissional, têm impacto positivo na qualidade da educação. Os remédios prescritos tanto no sentido de prevenção, quanto no tratamento- são Gestão, Formação, Organização do tempo, Trabalho em equipe, Relacionamento com os alunos , Infra-estrutura, Currículo e Valorização Social. Nenhum combate sozinho todos os sintomas, mas, associados, eles podem formas um coquetel eficaz para acabar  com a situação de impotência diante de um Sistema tão doente.

Remédio 1: receber o apoio da direção       

Uma gestão democrática e participativa é capaz de alterar as condições de trabalho dentro da escola, como relatam Analía Soria Batista e Patrícia Dario El-Moor no livro Educação: Carinho e Trabalho (Ed. Vozes). Instituições com maior participação dos pais e da comunidade têm mais materiais de apoio ao ensino e são mais limpas, por exemplo, o que contribui para melhorar o bem-estar de quem ali leciona.

Remédio 2: manter-se em constante formação

Os conhecimentos sobre didática avançam; a necessidade de se manter atualizado é constante; as salas de aula estão se tornando inclusivas; a sociedade exige cada vez mais da escola; e, por fim, há um abismo entre a formação e a prática do Magistério. A pressão e a ansiedade para se adequar a tudo isso muitas vezes dão origem a doenças, mal-estar e tensão.

Remédio 3: dispor de horários para estudo e lazer

Uma boa forma de reduzir o cansaço físico e mental e ainda melhorar os resultados de aprendizagem dos alunos é ter tempo para estudar, planejar e reunir-se com os colegas, sem esquecer os momentos de diversão e lazer. De acordo com a pesquisa NOVA ESCOLA e Ibope, os professores gastam em média 59 horas por semana em atividades ligadas ao trabalho – 50% desse tempo em sala de aula. Metade deles tem menos de seis horas por semana de lazer. Esses são os que mais apresentam sintomas de estresse – como insônia e dores de cabeça freqüentes.

Remédio 4: poder contar com o apoio dos colegas

Maria Elizabeth Barros de Barros, da Universidade Federal do Espírito Santo, estudou as estratégias encontradas pelos docentes a fim de promover a saúde e acabar com o que faz sofrer. “O mais eficaz é apostar na boa relação entre os professores e construir o sentimento de grupo”, defende

Remédio 5: manter a indisciplina sob controle

A dificuldade de relacionar-se com crianças e jovens em classe é a maior queixa dos professores, como mostra a pesquisa NOVA ESCOLA e Ibope. A falta de disciplina foi citada como o principal problema em sala de aula por 46% dos entrevistados.

Remédio 6: ter boas condições de trabalho

O espaço da escola afeta tanto o cotidiano dos professores quanto o dos alunos. A precariedade das condições físicas dificulta as aulas, tornando-as desgastantes e reduzindo a produtividade. Mobiliário inadequado ou classes sem boa ventilação, iluminação ou acústica podem causar ou agravar problemas de saúde, como os osteomusculares ou de voz.

Remédio 7: estar por dentro do projeto pedagógico

Ter clareza sobre o que será ensinado é condição para que os docentes executem bem sua função em classe. Apresentar esses conteúdos é papel das diretrizes curriculares. “Quando há referências e metas, o professor toma decisões com maior segurança, e isso tem impacto na qualidade da Educação”, afirma Neide Nogueira, da equipe responsável pela elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Com a certeza de ter as condições necessárias para desempenhar bem sua função, o educador sofre menos.

Remédio 8: ser prestigiado

O apoio da sociedade aos educadores está diminuindo. É o que sente um terço dos professores brasileiros, segundo a pesquisa NOVA ESCOLA e Ibope. Isso acaba afetando seu bem-estar e seu desempenho em sala de aula. “A progressiva desqualificação e o não-reconhecimento social potencializam o sofrimento dos docentes”, assinala Mary Yale Rodrigues Neves, da Universidade Federal da Paraíba. Quando se fala em valorização social, o sentido não deve ser apenas retórico, e deve incluir homenagens e discursos em favor do Magistério. Essa é a opinião de Inês Teixeira, da UFMG. “A valorização tem de ser real. Profissional reconhecido é aquele que dispõe de boas condições para exercer sua função no dia-a-dia, salário compatível com o que se espera dele e políticas públicas que cuidem de sua formação e sua saúde.”

Fonte:  Nova Escola – abril/2008

www.novaescola.org.br







14
out
2008
Amazônia Pulmão do Planeta
Categorias: Geral, informação


 

Amazônia Pulmão do Planeta





A discussão não é nova: sob a alegação de que a Amazônia é o pulmão do planeta, governantes de todo o mundo, sempre demonstraram preocupação com a região. Os motivos verdadeiros, porém, vão muito além da preservação da floresta, que ocupa aproximadamente um terço da América do Sul. Riquezas como ouro, diamante,depósito de nióbio[1],,gás natural,madeiras nobres,espécies de flora e fauna exclusivas da região, além do óbvio apelo turístico fazem da Amazônia um motivo para muitos olhos se esgazearem de ambição.
Recentemente o Governo Federal declarou que a Amazõnia brasileira Têm dono- o povo brasileiro-, numa tentativa de conter o excesso de interferência de outros países que exemplo não deramao destruir outros ecossistemas ao longo de décadas.A resposta veio logo depois de reportagem publicada no jornal Norte-Americano The York Times, que afirmava que ” um coro de líderes internacionais está declarando mais abertamente a Amazônia como parte de um patrimônio muito maior do que o das nações que dividem o seu território.”
Denomina-se Amazônia Legal a área que engloba os estados por onde se estende a caudalosa Bacia Amazõnica. São eles: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima,Tocantins e oeste do Maranhão.juntos esses estados possuem mais de 5 milhões de quilômetros quadrados, cerca de 60% do nosso território.

Destruição em Etapas:

Os recursos naturais da Amazônia são destruídos em cadeia, e há uma série de dificuldades para combater o desmatamento.Num primeiro momento, grandes e pequenos empresários ocupam de forma irregular terras devolutas[2].Geralmente, começam o processo com madeireiras ilegais, que abrem estradas clandestinas e derrubam árvores com valor comercial, especialmente no exterior. Quando se esgota a exploração de madeira, esse grupo vai procurar outra área rica em madeira para exportação. No espaço já desmatado,chegam pecuaristas que “completam o serviço”, ateando fogo à vegetação remanescente, que abre espaço, assim, para a criação de gado.Depois de certo tempo, esses pecuaristas podem repassar a área a um grande produtor de soja ou arroz e sair à procura de outro campo desmatado para a criação de gado.
Só no mês de abril o desmatamento na Amazônia atingiu o tamanho da cidade do Rio de Janeiro, segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O tamanho da Amazõnia é , por si só, uma dificuldade para ações preventivas.
Por isso o governo federal lançou em maio o Plano Amazônia Sustentável(PAS), uma tentativa de definir estratégias que sustentem a integridade da floresta e da bacia Amazõnica, para que a população local possa se manter de forma digna.

Proposta Científica: Um grupo de pesquisadores lançou, através da academia Brasileira de Ciências (ABC), uma nova proposta para a solução de tanta dor-de-cabeça: a implantação de um pólocientífico e tecnológico na região.Segundo o grupo, em 10 anos, três Institutos de Pesquisa de ponta e duas universidades começariam a gerar riqueza para a região, inventando formas de agregar valor a produtos derivados da biodiversidade local e inseri-los em mercados globais.Os seis cientistas que assinaram o documento acreditam que podem transformar a região, sem tirar o seu verde, e criar um centro de excelência aos moldes de outros existentes no país.O documento pode ser lido na íntegra no site da ABC www.abc.org.br.

[1]Nióbio- é um mineral utilizado em ligas de aço e na fabricação de tubos que necessitam de alta resistência, como os utilizados para transporte de petróleo a longa distância.

-[2]Terras devolutas- Terrenos que nunca deixaram de pertencer à União, mesmo que particulares os ocupem
Fonte: Nós da Escola Nº 60/2008







14
out
2008
Todo cuidado é pouco, pressão alta mata!!!!!
Categorias: informação, Saúde


Cuidados Gerais que o hipertenso deve ter

 

 

Evite o sal em excesso- Lembre-se que ele pode diminuir os efeitos de algumas medicações.

Avalie regularmente sua pressão
Você pode ter um aparelho de medição de pressão arterial, do tipo automático ou manual em casa.

Nunca interrompa sua medicação
O controle da pressão depende do uso regular de todas as medicações que seu médico prescreveu.

Evite exercícios isométricos (musculação). Pratique exercícios regularmente pelo menos três vezes por semana.

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11
out
2008
Arte que resiste ao tempo
Categorias: artes, curiosidades




O universo da música produz belezas incríveis para os ouvidos sensíveis…e também para os olhos. A forma dos instrumentos musicais, em especial os de corda, é um deleite para quem assiste à apresentação de uma orquestra A arte permeia a produção do som e se faz presente desde a fabricação dos instrumentos no ofício do luthier.
Luthier é o artesão, o artista da luteria- ou da arte de construir instrumentos de corda. Tarefa que geralmente é passada de geração a geração, de pai para filho, e que requer um vasto conhecimento e apuro . Saber escolher a melhor madeira, estar atento às conseqüências da umidade, entender um pouco da linguagem musical, ter ouvido sensível são requisitos básicos do ofício da luteria. Há luthiers famosos na história que vieram das principais escolas de luteria do mundo: Itália, França,Bélgica, Hungria, Holanda Alemanha. E o que não falta são lendas em torno do processo de trabalho de cada um deles. Algumas delas dão conta de que o segredo do grande fabricante de violino. Antonius  Stradivarius (1644-1737), ou como era chamado em Cremona, Itália, Antonio Giacomo Stradivari, era verniz que passava nos instrumentos, com cinzas vulcânicas. Segundo consta, esses ingredientes tornava a madeira mais dura e, conseqüentemente,melhorava a sonoridade. Outra versão diz que o artesão selecionava as madeiras que usava de navios naufragados. Elas teriam mais dureza e resistência por terem ficado em contato com a água salgada por muitos anos.

 

Se os instrumentos resistem ao tempo, as técnicas de fabricação, também. Ao entrar em uma oficina de luteria, das raríssimas que temos aqui no Rio, percebemos que ali o trabalho minucioso do artista se impõe a qualquer modernidade de equipamentos. “É um artesanato fino que requer muito conhecimento e estudo, e onde a evolução técnica se faz presente mais nos materiais usados, em ferramentas, do que no processo de fabricação propriamente dito,totalmente manual.” Observa Niltom de Camargo, luthier que há 25 anos fabrica instrumentos de corda tocados com arco, como violinos. Músico violinista por formação, ele estudou na Scuola Internacionale de liuteria de Cremona, Itália. Lá ele construiu a sua própria oficina de produção que, hoje tem uma filial no Largo de São Francisco, no Centro do Rio de Janeiro, e atende junto com a mulher a uma clientela de músicos de várias orquestras nacionais que o procuram em busca de manutenção para seus instrumentos.
Só para se ter uma idéia da sofisticação do trabalho do luthier, Niltom fabrica por ano,apenas quatro ou cinco instrumentos. Podem ser violinos, cellos,violas, entre outros. Cada um requer de dois ou três meses de produção e tem em média 72 peças, todas fabricadas na oficina de Cremona. Rogério dos Santos luthier que fabrica instrumentos acústicos dedilhados como violões, cavaquinhos, banjos,bandolins etc…produz um pouco mais, em média 10 instrumentos. Entre máquinas que ele mesmo construiu, muitas ferramentas especiais- a maior parte importada, pois aqui não há tradição de luteria, ele fala com propriedade das madeiras que usa.”Para o tampo do violão, não há madeira mais adequado que o pinho europeu. Ela tem os veios, as fibras bem juntas e uma maleabilidade que favorece à vibração.” Para as laterais e para a parte de trás o nosso jacarandá é insubstituível, segundo Rogério.”A madeira é cara , de difícil aquisição e controlada pelo Ibama, mas vale à pena pagar caro,porque o resultado faz a diferença! Observa. Na verdade nesse ofício tudo faz diferença quando se quer fabricar um instrumento com som impecável.
***
LUTHIER é o artesão, o artista da luteria (1) ou da arte de construir instrumentos de corda.
**(1)  Variação do francês lutherie.
Fonte:  Nós da Escola/2008







11
out
2008
Machado de Assis e a força feminina
Categorias: Literatura


 


Machado de Assis , mesmo preso às características dos romances do século xlx, constrói personagens femininos fortes e objetivos, capazes de conduzir a ação. Desse período o artigo “As personagens femininas de Machado de Assis”, destaca que a diferença de temperamento entre Félix e Lívia, em Ressurreição, impede-lhes o casamento, partindo dela o rompimento. Em A mão e a luva, Guiomar escolhe racionalmente Luiz Alves pelo fato de este ter as qualidades que lhe permitem sastifazer as ambições. Já em Helena, a heroína frauda a sua identidade para receber parte de uma herança e acaba se apaixonando pelo falso irmão. Por último a professora Maria Lúcia cita Iaiá Garcia, cujo personagem mais atuante é Estela, que promove a felicidade dos que a cercam. Na fase realista/naturalista, quando Machado trata dos estados de consciência do homem através de seus personagens, mais uma vez as mulheres conduzem a trama.
Sem dúvida, a Capitu de Dom Casmurro é a mais emblemática , pela dúvida que suscita nos leitores durante a narrativa- se ela realmente traiu ou não Bentinho. Segundo Paulo Roberto Pereira (Doutor em Literatura pela UFRJ), a mulher de Dom Casmurro tem esse lugar assegurado na história literária por ser um personagem atemporal do mundo urbano burguês, com quem o leitor imagina que pode esbarrar na próxima esquina.” Capitu domina a narrativa do princípio ao fim. Afinal , poucos personagens em qualquer literatura possuem ‘olhos de cigana oblíqua e dissimulada’ “, cita o Doutor em Letras. Para Maria Lúcia em seu artigo , a sensualidade marca o personagem (principalmente na cena em que Capitu seduz Bentinho, construída com muita sutileza psicológica), deixando aflorar o apelo sexual no com portamento de uma mulher ainda adolescente.
Outras mulheres são destacadas por ela na fase realista de Machado , como Virgília , cujo adultério com Brás Cubas é levado a cabo menos por paixão do que desejo. Em Quincas Borba, Sofia aparece como a mulher que seduz o pobre Rubião, escudada por interesses do marido, para depois abandoná-lo na ruína. Por fim Fidélia, de Memorial de Aires é uma contida viúva que guarda a memória do marido o mais que pode, mas no final aceita casar-se com Tristão.

***O artigo ” As personagens femininas em Machado de Assis”, de Maria Lúcia Silveira Rangel, está publicado no endereço htt//kplus.cosmo.com.br/materia.asp?&co=Literatura

***Academia Brasileira de Letras www.academia.org.br
Fonte: Revista Nós da Escola 57 e 58 (seção Machadiano)

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